Genial/Quaest: Ciro Gomes (PSDB), hoje aliado ao bolsonarismo, disputa 2o turno no Ceará com Elmano de Freitas (PT) ou ex-ministro Camilo Santana (PT)
por Jamildo Melo
Publicado em 04/05/2026, às 13h53 - Atualizado às 14h07
Pesquisa Genial/Quaest no Ceará mostra Ciro Gomes competitivo no 2º turno, vencendo Elmano de Freitas e perdendo para Camilo Santana.
O cenário acende alerta para Luiz Inácio Lula da Silva, que depende do Nordeste em meio à queda nas pesquisas.
Apesar de 56% aprovarem Elmano, há demanda por mudanças parciais ou totais na gestão.
Eleitorado segue aberto: 58% dizem que ainda podem mudar o voto.
Violência lidera as preocupações (42%) e deve pesar na decisão final.
Como na Bahia, a mais nova rodada da Genial/Quaest no Ceará também traz um sinal político relevante para as eleições 2026.
O ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) aparece competitivo para um eventual segundo turno no Estado, enfrentando nomes do PT em um dos principais redutos eleitorais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Pelos números, compartilhados com o site Jamildo.com, Ciro perderia para Camilo Santana (PT) por 44% a 39%, mas venceria o atual governador Elmano de Freitas (PT) por 46% a 35%.
O dado chama atenção porque indica fissuras em um Estado historicamente alinhado ao lulismo — justamente no momento em que Lula enfrenta desgaste nas pesquisas nacionais e depende fortemente do Nordeste para sustentar sua base eleitoral.
No cenário local, Elmano ainda mantém fôlego: 56% aprovam sua gestão, e 50% dizem que ele merece a reeleição. Mesmo assim, há sinais de desejo de mudança.
Para 35% dos entrevistados, o próximo governo deveria mudar totalmente o que vem sendo feito, enquanto 38% defendem ajustes parciais. Apenas 21% apoiam a continuidade integral.
A leitura política vai além do Ceará. Quando 43% dos eleitores dizem preferir um governador aliado de Lula — contra 34% que optam por independência e 18% por alinhamento a Bolsonaro —, o dado reforça que o vínculo com o presidente ainda pesa. Mas, como se viu na Bahia, com ACM Neto vencendo em segundo turno, já não é hegemônico.
Outro ponto de atenção é que o eleitor ainda está volátil. Segundo a pesquisa, 58% afirmam que podem mudar o voto até a eleição. O cenário está longe de consolidado.
Na disputa pelo Senado, Cid Gomes (PSB) e Capitão Wagner (União Brasil) aparecem tecnicamente empatados, indicando mais um campo aberto na política cearense.
A agenda do eleitor também ajuda a explicar o humor: a violência lidera com folga como principal problema (42%), seguida pela saúde (21%). O mesmo quadro que se repete na Bahia e em Pernambuco. Os temas tendem a influenciar diretamente o voto — e podem embaralhar ainda mais o jogo.
No pano de fundo, o recado é claro: mesmo em um dos pilares do Nordeste, o campo governista já não navega em águas totalmente tranquilas. Para Lula, que precisa manter altas margens na região para compensar perdas em outros centros, qualquer oscilação no Ceará acende o sinal amarelo para 2026.
A Pesquisa Genial/Quaest foi registrada no TSE sob nº CE-01725/2026, realizada entre 24 e 28 de abril, com 1.002 entrevistas presenciais. Margem de erro de 3 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.