ACM Neto (União Progressista) e Jerônimo Rodrigues (PT) estão empatados na Bahia, mas, no 2o turno, ACM Neto venceria o governador por 41% a 38%
por Jamildo Melo
Publicado em 04/05/2026, às 13h08 - Atualizado às 13h42
Pesquisa na Bahia mostra empate técnico entre ACM Neto e Jerônimo Rodrigues, com vantagem de Neto no 2º turno.
O cenário acende alerta para Luiz Inácio Lula da Silva, que depende do Nordeste em meio à queda nas pesquisas nacionais.
Apesar disso, Jerônimo tem 56% de aprovação e 51% defendem sua reeleição.
O eleitorado mostra desejo de mudança, total ou parcial, e 47% ainda podem mudar o voto.
Segurança e saúde lideram preocupações, enquanto a disputa ao Senado segue aberta no estado.
A mais nova pesquisa Quaest na Bahia acende um alerta que vai além das fronteiras do estado, com impacto no tabuleiro nacional de 2026.
O levantamento mostra empate técnico entre o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Progressista), e o governador Jerônimo Rodrigues (PT). No entanto, em um eventual segundo turno, ACM Neto aparece numericamente à frente, com 41% contra 38%.
ACM Neto foi prefeito de Salvador por dois mandatos (2013–2020) e disputou o governo estadual em 2022, quando perdeu para Jerônimo Rodrigues, do PT.
O dado chama atenção em um momento em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta oscilações nas pesquisas nacionais e depende, historicamente, do desempenho no Nordeste para sustentar seus projetos eleitorais.
Apesar de pontuar bem entre a oposição bolsonarista ou não bolsonarista, o ex-prefeito ainda consegue margens consideráveis de intenção de voto entre os eleitores de Lula (22%) ou na esquerda não lulista (34%).
O que mais atrapalha Jerônimo é a elevada rejeição (42%), se comparado a ACM Neto (32%).
A Bahia não é qualquer estado. É o maior colégio eleitoral do Nordeste — região que, nas últimas eleições, foi decisiva para Lula. O recorte político da pesquisa ajuda a entender o cenário.
47% dos eleitores continuam preferem um governador aliado de Lula, mas 32% defendem independência e outros 16% preferem alinhamento com Jair Bolsonaro.
Segundo estes números, há uma base relevante pró-Lula, mas longe de ser hegemônica.
Apesar da disputa apertada, o governador Jerônimo Rodrigues não está mal avaliado:
56% aprovam sua gestão, Já foi maior, na casa dos 63%. Outros 33% desaprovam. 37% consideram o governo positivo e 25% avaliam como negativo. Além disso, 51% dizem que ele merece reeleição.
Mas há um dado que pesa: metade do eleitorado ainda pode mudar o voto. São 47% que admitem não ter decisão definitiva — um campo aberto para disputa.
O eleitor baiano também sinaliza um desejo de ajustes na gestão. 34% querem mudança total, 40% querem mudanças parciais e 22% defendem continuidade.
Na prática, há mais gente querendo alterar o rumo do que manter tudo como está — um indicador clássico de ambiente competitivo.
Na corrida para o Senado, o cenário também está indefinido:
Rui Costa (PT): 24%
Jaques Wagner (PT): 22%
João Roma (PL): 9%
No caso, os dois petistas conseguem a liderança mesmo tendo as maiores rejeição entre os candidatos postos. Mas 55% diz que pode mudar de voto. Os dados revelam disputa interna no campo governista e espaço ainda aberto para a oposição crescer, conforme os dados compartilhados com o site Jamildo.com.
Na agenda do eleitor, segurança pública lidera com 36% com medo da violência: Saúde, 26%. Temas clássicos que costumam influenciar diretamente o voto — e que podem redefinir o jogo até 2026.
Uma curiosidade da eleição no Estado é que a TV lidera os hábitos de consumo de informação, batendo as redes sociais, que lideram em estados como Pernambuco.
Para o entorno de Lula, o recado é claro: o Nordeste segue estratégico, mas já não é terreno automático.
A Bahia mostra um eleitor mais dividido, com desejo de mudança e aberto à disputa.
Em ano pré-eleitoral, isso é tudo que a oposição queria — e tudo que o Planalto precisa observar com lupa.
A pesquisa foi registrada no TSE (BA-03657/2026), realizada entre 23 e 27 de abril, com 1.200 entrevistas presenciais. Margem de erro de 3 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.