Antes de chegar em Paulista, João Campos deu entrevista para Rádio Maranata, com foco no público evangélico. Socialista diz que é atacado por expressar fé
por Cynara Maíra
Publicado em 26/06/2026, às 12h09 - Atualizado às 12h28
O ex-prefeito do Recife e pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB), concedeu entrevista à Rádio Maranata nesta sexta-feira (26).
Durante a conversa de aproximadamente uma hora, o gestor rebateu críticas sobre a sua administração na capital e reclamou perseguições políticas motivadas por sua religiosidade. A agenda na emissora voltada ao público evangélico antecedeu os compromissos de rua do socialista no município de Paulista.
Ao responder sobre os problemas do Recife que permaneceram sem solução, Campos argumentou que dedicou o máximo esforço à cidade. O socialista afirmou que nenhum outro gestor executou o mesmo volume de entregas na capital em um período de cinco anos.
O pré-candidato usou a vitrine municipal para confrontar diretamente os indicadores da governadora Raquel Lyra (PSD), citando áreas como segurança pública, fechamento de leitos hospitalares e educação técnica.
"A gente tem retrocessos na saúde, nós temos um quantitativo de exames que foram reduzidos, mais de 400 leitos foram fechados em hospitais estaduais. Você tem de fato uma paralisação das coisas, o meu sentimento é que há uma fragilidade muito grande no que é feito. A governadora prometeu 250 creches e entregou 5, eu na prefeitura fiz 107 creches", criticou o ex-prefeito.
Campos também defendeu a necessidade de articulação e alinhamento político em Brasília para atrair investimentos privados para o estado. No entendimento do socialista, o próximo governador precisará de posicionamento firme para garantir que a União destine recursos robustos para a população local.
O pré-candidato também falou sobre sua religiosidade ao citar que ocorre com recorrência episódios em que opositores utilizam sua postura de fé como alvo de embates eleitorais. Ele afirmou que não recuará de suas convicções e que enxerga o exercício diário da espiritualidade como um pilar essencial para sua vida.
"Exercite todo dia a sua fé, pra mim faz bem exercitar a fé. Jamais vocês vão me ver atacando a fé dos outros, é inadmissível sofrer ataques políticos por expressar a sua fé", disparou o postulante.
O desabafo na rádio evangélica ocorre após dois episódios recentes envolvendo a imagem religiosa do ex-prefeito nas redes sociais.
Em abril, perfis de oposição compartilharam um vídeo em que Campos retirava uma corrente de ouro do pescoço durante ato público. Na época, o pessebista explicou que guardou a joia apenas para evitar ruídos no microfone de lapela e lamentou a distorção política sobre o objeto, que carrega medalhas de seu pai, Eduardo Campos, recuperadas no acidente de 2014.
Em maio, um novo desgaste surgiu após a divulgação de um vídeo em que o socialista brincava sobre virar ministro da eucaristia caso seus planos falhassem. A fala gerou reação de lideranças católicas, incluindo o vereador Felipe Alecrim (Novo), que classificou a declaração como desrespeitosa. Campos se defendeu alegando que o trecho foi retirado de contexto e que reproduzia apenas um causo político tradicional contado por seu pai.
Logo após encerrar a participação nos estúdios da Maranata FM, João Campos seguiu para Paulista para cumprir o roteiro de pré-campanha de rua. O socialista marcou o ponto de encontro com apoiadores na Praça Agamenon Magalhães, no centro da cidade, por volta das 11h, onde caminhou pela feira livre e conversou com comerciantes locais.
Ao meio-dia, o pré-candidato visita o Mercado Público de Paratibe para colher demandas de trabalhadores e defender propostas de ampliação de vagas de emprego técnico para a juventude da Região Metropolitana.