João Campos diz que não transformará disputa eleitoral em uma guerra de ataques e alfineta Raquel Lyra

Durante agenda no Recife, João Campos conectou a governadora Raquel Lyra ao suposto gabinete do ódio e afirma que focará em propostas, sem ataques

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 29/08/2026, às 08h20 - Atualizado às 08h47

João campos fala em microfone enquanto sorri e usa praguinha no peito. Ao lado está Victor Marques. Diversas bandeiras amarelas escrito João 40 estão ao redor
Marlon Diego

Discurso na Torre: João Campos (PSB) realizou caminhada na Vila Santa Luzia e afirmou que focará em propostas, sem transformar a disputa em ataques.

Críticas ao adversário: O candidato ligou a gestão estadual ao suposto "gabinete do ódio" e comparou as denúncias às obras executadas durante seu mandato no Recife.

Compromisso de gestão: Em ato com Charlles de Tiringa, o socialista declarou que não usará entraves burocráticos para justificar falta de entregas no Executivo.

Ofensiva jurídica da oposição: A Frente Popular ingressou com AIJE no TRE-PE reunindo cinco eixos de acusações, além de acionar MPPE, MPE, CGU e TCE-PE.

Ações da governadora: Raquel Lyra nega ligação com perfis falsos, exonerou o funcionário citado e move ações judiciais no TRE-PE e na esfera criminal contra difamações da oposição.

O candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) declarou nesta sexta-feira (28) que não vai transformar a campanha eleitoral em uma disputa de ataques.

A fala ocorreu durante uma caminhada na comunidade da Vila Santa Luzia, no bairro da Torre, Zona Oeste do Recife. Ao lado do prefeito Victor Marques (PCdoB), do candidato a vice-governador Carlos Costa e de outras +lideranças políticas, o ex-prefeito aproveitou o ato de rua para alfinetar a governadora Raquel Lyra (PSD) sobre as alegações de repasses a páginas digitais.

No discurso aos moradores, o socialista defendeu priorizar a apresentação de propostas e os projetos de sua gestão na capital, contrapondo suas ações às denúncias veiculadas na imprensa.

"A gente não vai perder tempo perseguindo adversário. Não vai perder tempo com gabinete do ódio, com dinheiro público, porque isso é crime. Enquanto eles gastam tempo tentando manchar a imagem de pessoas sérias, a gente gastou o nosso tempo fazendo vaga de creche, fazendo hospital, fazendo rua e obra de encosta", disse João Campos.

O candidato também destacou o direcionamento orçamentário que adotou na administração municipal. "Eu tive a coragem de colocar 80% do dinheiro da Prefeitura na periferia da cidade. Quando eu tenho a oportunidade de governar e de fazer, eu coloco em primeiro lugar o povo. É desse jeito que vai ser em Pernambuco", completou.

Na sequência dos compromissos, João Campos participou da inauguração do comitê de campanha de Charlles de Tiringa (PSB), candidato a deputado federal. No evento, o ex-prefeito afirmou que não usará entraves políticos ou econômicos como justificativa para atrasar entregas caso vença a eleição para o governo estadual. Essa também seria uma alfinetada para Raquel Lyra ao dar a entender que a gestora apresentaria justificativas para atrasos. 

"Vocês não vão me ver um dia botando dificuldade como governador do Estado, dizendo que eu não fiz porque está difícil, que eu não fiz porque a política não ajudou ou porque a situação não era fácil. A vida de quem tem que governar tem que ser uma vida com coragem e com força para resolver o que fazer", discursou.

Entenda a disputa judicial sobre supostos gabinetes do ódio

A crise entre os dois principais nomes na corrida pelo Palácio do Campo das Princesas ganhou força após reportagem da Record TV apontar repasses de verbas publicitárias do Estado para uma empresa ligada a páginas digitais supostamente investigadas por difamarem o ex-prefeito do Recife.

Na matéria, um servidor federal cedido à gestão estadual afirmava conversar com o governo para atuar no desgaste da imagem política de João Campos. 

Diante do caso, a governadora Raquel Lyra exonerou o funcionário do cargo e afirmou que a distribuição de publicidade segue critérios técnicos por meio de agências licitadas. A gestora estadual também declarou ser vítima frequente de violência política pela oposição.

Em reação, a Frente Popular formalizou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) na Corregedoria do TRE-PE e apresentou denúncias no MPPE, MPE, CGU, TCE-PE e na Caixa Econômica Federal. A peça jurídica do grupo socialista questiona:

  • Uso de ônibus escolares de frotas municipais no transporte de militantes para a convenção governista;

  • Monitoramento de adversários políticos por policiais civis;

  • Deslocamentos eleitorais na aeronave oficial adquirida pelo Estado;

  • Gastos com publicidade institucional acima do limite fixado para o primeiro semestre;

  • Repasses de contratos de mídia para a empresa do site citado na denúncia.

A disputa judicial envolvendo o ambiente digital também conta com iniciativas da chapa governista. Desde julho, a equipe de Raquel move uma ação sob segredo de justiça no TRE-PE contra mais de 500 perfis, acusando a campanha de João Campos de manter contas automatizadas para difamação.

A governadora também ingressou com interpelação criminal para exigir explicações formais do adversário sobre a declaração de que o Estado comanda uma milícia digital.