Com derrota de Trump, Keisha Lance Bottoms venceu na Geórgia e será primeira mulher negra a governar estado dos Estados Unidos marcado pelo racismo
por Jamildo Melo
Publicado em 04/11/2026, às 09h11
A democrata Keisha Lance Bottoms venceu o republicano Rick Jackson na disputa pelo governo da Geórgia
Ex-prefeita de Atlanta, ela será a primeira mulher negra a governar um estado dos Estados Unidos
O resultado também encerra mais de duas décadas de controle republicano sobre o governo estadual
A democrata Keisha Lance Bottoms venceu a eleição para governadora da Geórgia nesta terça-feira (3) e se tornou a primeira mulher negra eleita para comandar um estado dos Estados Unidos. Ex-prefeita de Atlanta, ela derrotou o empresário republicano Rick Jackson, segundo projeções da imprensa americana.
Bottoms também será a primeira mulher a ocupar o governo da Geórgia. Ela sucederá o republicano Brian Kemp, que está no segundo mandato e não podia disputar uma terceira gestão consecutiva.
O resultado reúne dois marcos distintos: amplia a representação das mulheres negras no comando dos estados americanos e devolve aos democratas um governo ocupado pelos republicanos há mais de duas décadas.
Aos 56 anos, Bottoms chega ao governo estadual depois de comandar Atlanta, capital e maior cidade da Geórgia. Ela também integrou a administração do ex-presidente Joe Biden, como assessora sênior e diretora do Escritório de Engajamento Público da Casa Branca.
Na campanha, sua passagem pela prefeitura foi alvo de ataques republicanos, especialmente sobre a gestão durante a pandemia de Covid-19. Bottoms, por sua vez, criticou a atuação empresarial de Jackson no setor de saúde. Essas acusações fizeram parte da disputa eleitoral e devem ser distinguidas dos resultados administrativos dos candidatos.
A eleição ocorre em um estado marcado pela escravidão, pela segregação racial e pela mobilização em defesa dos direitos civis. A Geórgia é o estado natal de Martin Luther King Jr., uma das principais lideranças desse movimento.
Politicamente, a vitória reforça a condição da Geórgia como território competitivo entre democratas e republicanos. A mudança já vinha sendo construída em disputas anteriores, com participação decisiva do eleitorado negro na coalizão democrata.
O marco de representatividade, contudo, não permite antecipar os resultados da futura administração. A mudança de partido no Executivo e a capacidade de transformar propostas em políticas públicas são dimensões diferentes da vitória nas urnas.
Na mesma rodada eleitoral, a democrata Gina Hinojosa venceu no Texas e se tornou a primeira latina eleita governadora do estado. No Novo México, Deb Haaland foi eleita a primeira mulher indígena a comandar um estado americano. Os resultados ampliaram a presença democrata nos governos estaduais durante o segundo mandato do presidente Donald Trump.