CEO da Quaest destaca polarização, avanço na aprovação de Raquel Lyra e peso das alianças nacionais na disputa pelo governo de Pernambuco
por Plantão Jamildo.com
Publicado em 28/04/2026, às 09h40 - Atualizado às 09h49
Felipe Nunes aponta disputa polarizada entre João Campos e Raquel Lyra
João tem maior potencial de voto e menor rejeição, segundo análise
Aprovação do governo Raquel cresce e muda percepção sobre reeleição
Senado tem Marília à frente e disputa aberta pela segunda vaga
Felipe Nunes, CEO da Quaest, debruçou sobre os dados mais recentes da pesquisa Genial/Quaest em Pernambuco, divulgados nesta terça-feira (28), que indica uma disputa concentrada entre dois polos e com sinais de definição mais avançada do eleitorado.
Ele avaliou o cenário em uma thread no X (antigo Twitter). A pesquisa coloca o ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), na liderança, com 42%, enquanto a governadora Raquel Lyra (PSD) aparece com 34%. Há ainda 11% de indecisos.
Para Nunes, trata-se de uma eleição polarizada e, ao mesmo tempo, com espaço para definição já no primeiro turno, diante do baixo desempenho dos demais pré-candidatos. “A eleição é aberta e tem tudo pra ser resolvida no 1º turno já que os outros candidatos pontuam muito pouco”, afirmou.
O cientista político destaca que Pernambuco apresenta um nível de decisão do voto superior ao observado em outros estados. De acordo com o levantamento, 56% dos eleitores dizem já ter escolhido em quem votar.
Embora os dois principais nomes tenham grau semelhante de conhecimento entre o eleitorado, a vantagem de João Campos, segundo Nunes, está associada ao maior potencial de voto e menor rejeição. O ex-prefeito tem potencial de 58%, contra 53% da governadora, além de rejeição de 28%, frente a 37% de Raquel Lyra.
Por outro lado, o CEO da Quaest aponta que a governadora apresenta um movimento consistente de melhora na avaliação da gestão, o que pode impactar a dinâmica da disputa.
A aprovação do governo subiu de 51% para 62%, enquanto a desaprovação recuou de 45% para 35%. Esse avanço também alterou a percepção sobre a reeleição: em agosto de 2025, 54% avaliavam que Raquel não merecia novo mandato; em abril de 2026, 57% passaram a defender sua continuidade.
Outro fator destacado na análise é o peso das alianças nacionais. Segundo o levantamento, 47% dos entrevistados acreditam que João Campos será o candidato apoiado pelo presidente Lula, enquanto 12% associam esse apoio à governadora. No campo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, 76% afirmam não saber quem representará esse segmento na disputa estadual, até agora sem pré-candidato.
Para Felipe Nunes, essa variável tende a influenciar o comportamento do eleitor. A pesquisa mostra que 47% preferem um governador alinhado a Lula, 17% optam por um nome ligado a Bolsonaro e 30% defendem uma candidatura independente da polarização nacional.
Disputa no Senado
Na avaliação sobre o Senado, Nunes aponta que há um nome favorito no momento: Marília Arraes (PDT), com índices entre 18% e 21%. A segunda vaga aparece em aberto, com o senador Humberto Costa (PT) oscilando entre 12% e 13%, seguido por Miguel Coelho (União Brasil), com 10%, e Mendonça Filho (PL), entre 8% e 9%.
Ele ressalta, no entanto, que o cenário ainda pode sofrer alterações ao longo da campanha, especialmente em função do modelo eleitoral que permite ao eleitor votar em dois candidatos. “É muito provável que esse cenário seja modificado caso haja uma chapa forte de governo e dois senadores para blindarem a transferência de votos”, afirmou.
A Quaest ouviu 900 pessoas em Pernambuco entre os dias 22 e 26/04. O nível de confiança das pesquisas é de 95% e a margem de erro é de 3 pp. A pesquisa está registrada no TSE pelo número PE-08904/2026.