Em carta divulgada, senador derrotado por Lula no segundo turno alega fraude sem apresentar provas e diz que é o verdadeiro presidente do Brasil
por Jumariana Oliveira
Publicado em 28/10/2026, às 17h58 - Atualizado às 18h07
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se declarou “o verdadeiro presidente eleito do Brasil” em carta divulgada nesta quarta (28), já nos Estados Unidos.
Critica o STF por uma suposta extensão do horário de votação sem aval do TSE e fala em “impossibilidade matemática” no aumento de votos de Lula.
Nega ter fugido e diz que não há mandado de prisão contra ele, mas que sofre perseguição política.
Agradece a Trump e a Milei pelo acolhimento e compara seu caso ao de Rui Barbosa, De Gaulle, José Martí e opositores venezuelanos.
Diz que liderará a oposição dos EUA, falando por parlamentares como Rogério Marinho, que não teriam liberdade para se manifestar no Brasil.
Derrotado nas urnas no último domingo por uma diferença de mais de quatro milhões de votos, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou, nesta quarta-feira, uma carta aos eleitores depois de sair do país e chegar aos Estados Unidos.
No documento, o parlamentar se intitulou “o verdadeiro presidente eleito do Brasil” e, nas entrelinhas, deixou claro que não pretende voltar de imediato. Ele disse que vai liderar a oposição ao governo Lula (PT) a partir dos Estados Unidos.
Embora tenha deixado o país com a família logo após a derrota, o senador rejeita a ideia de fuga. “Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil”, escreve. Segundo ele, a saída foi necessária para escapar de “um regime de exceção” e poder ser “o líder que o meu povo merece”, já que, “calado, preso e censurado”, como diz que está seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, não conseguiria exercer essa liderança.
“Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil. Quero dizer, não só para os meus 60 milhões de eleitores, mas para o povo brasileiro, que eu sou o presidente eleito e os criminosos que roubaram a eleição do Brasil são parte de uma organização criminosa que implementou uma tirania. Vocês que almejavam a mudança, e eu não vou abandoná-los, eu serei a voz e a liderança livre da nossa nação”, escreveu.
Depois de divulgar a carta, ele publicou uma nova versão, se intitulando como "verdadeiro líder do Brasil"
Flávio afirma que não existe mandado de prisão contra ele porque não teria cometido nenhum crime. Segundo ele, ficar no Brasil iria gerar um “roteiro da perseguição”: apreensão de passaporte, tornozeleira eletrônica, censura, prisão domiciliar, julgamento e condenação política.
Flávio diz ter levado a família aos EUA para permanecer em segurança. Ele aproveitou para agradecer ao presidente americano, Donald Trump, e ao argentino, Javier Milei, pelo acolhimento.
No campo eleitoral, o senador sustenta que uma “impossibilidade matemática” teria se concretizado, ao alegar que Lula somou mais de 10 milhões de votos entre o primeiro e o segundo turno. Atribui isso à atuação de um ministro que chama de “ex-advogado do Lula”, o ministro Cristiano Zanin, que prorrogou o horário de votação por mais duas horas no último domingo.
Flávio, no entanto, não cita que sua própria campanha também solicitou a prorrogação da votação. Segundos dados públicos divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral, entre as 17h e 19h, somente 34 mil votos foram registrados nas urnas.
Para ele, o TSE se limitou a defender a prorrogação sem dar “uma única resposta crível”. Acusa ainda abuso de poder político e econômico e uso da máquina pública pela campanha da reeleição, fatos que, segundo ele, justificariam a cassação da chapa Lula-Alckmin.
Para justificar a permanência no exterior, o senador cita exemplos históricos, como Rui Barbosa, Charles de Gaulle, José Martí e opositores venezuelanos como Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina Machado. “Todos eles foram tratados como criminosos pelos regimes que enfrentavam. A história os chamou de outra coisa”, escreve.
A carta também tem destinatários políticos. A senadores, deputados e governadores que ajudou a eleger, e em especial a Rogério Marinho (PL-RN), seu candidato à presidência do Senado, Flávio diz saber que “hoje vocês não têm a liberdade necessária” para o exercício pleno da política. Por isso, prometeu falar “ o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr.”
Às instituições brasileiras, faz um apelo para que “essa sandice” termine e para que se restabeleça o equilíbrio entre os Poderes. À comunidade internacional, pede que não “normalize” o que ocorre no país.