Disputa em Pernambuco e impasse com vice-presidência gera atrito entre PT e PSB

PSB de João Campos quer lealdade de Lula e PT a seu nome em Pernambuco, mas petistas querem manter apoio de Raquel Lyra em coalizão contra bolsonaristas

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 02/03/2026, às 10h49 - Atualizado às 11h34

Com roupas carnavalescas sorriem Raquel Lyra, Lula e João Campos. Ao fundo Maria Arraes e Luciana Santos
Interesse de petistas em manter neutralidade estaria irritando João Campos e o PSB - Reprodução TV Globo

A relação entre PSB e PT enfrenta tensões para as eleições de 2026 devido à possível neutralidade de Lula na disputa pelo Governo de Pernambuco.

João Campos interpretaria como "deslealdade" a sinalização de membros do governo federal, como o ministro Rui Costa, em manter o presidente distante do embate entre o prefeito e Raquel Lyra (PSD) no primeiro turno.

A governadora Raquel Lyra teria condicionado seu apoio à reeleição de Lula à neutralidade do petista no estado, visando isolar o palanque do PSB.

O PSB também demonstra preocupação com a manutenção de Geraldo Alckmin na Vice-Presidência, diante de articulações que podem levar o posto para um partido de centro, como o MDB.

Em entrevista ao PodJá, o presidente estadual do PSB, Sileno Guedes, descartou a possibilidade de neutralidade de Lula e afirmou que o presidente rumará com João Campos.

Sileno argumentou que a conjuntura atual é diferente da eleição de 2006 e que Raquel Lyra não possui a mesma identidade política que permitiu o palanque duplo naquela época.

O objetivo central das alianças para 2026 é garantir uma base sólida para derrotar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência.

A situação para o Executivo em Pernambuco e a escolha do próximo candidato a vice de Lula (PT) nas eleições de 2026 gera tensões entre o PSB e o PT.

Membros do PSB estariam insatisfeitos com uma posição "ambígua" do PT sobre o endosso aos socialistas, tanto em Pernambuco quanto na manutenção da legenda na Vice-Presidência. 

Segundo reportagem do Jornal O Globo, o prefeito e presidente do PSB, João Campos, estaria vendo como "deslealdade" de governistas um suposto interesse de que Lula fique neutro no primeiro turno da eleição e consiga tanto o apoio de João quanto de Raquel Lyra (PSD). 

A Folha de S. Paulo também divulgou que Raquel teria pedido para Lula manter a neutralidade em Pernambuco em troca do endosso à reeleição do petista. Um dos governistas que defenderiam essa posição seria o Chefe da Casa Civil, ministro Rui Costa. 

João Campos criticaria um suposto comportamento ambíguo, com a base de Lula dividindo suas atenções entre os dois nomes na disputa pelo Governo de Pernambuco. 

Como um palanque duplo teria uma visão negativa para os socialistas, que são aliados de primeira hora, uma neutralidade no primeiro turno. A ideia é ter todos os apoios disponíveis para derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL) em 2026. Lula já disse publicamente que o partido não tem a posição de se dar ao luxo de perder aliados. 

Outro ponto de tensão seria as articulações de Lula que poderiam levar a um candidato a vice de partidos mais ao centro, como o MDB. O interesse do PSB é que Geraldo Alckmin continue no posto. 

Apesar do caso, lideranças socialistas afirmam que Lula manterá a aliança histórica com o PSB e declarará apoio ao nome de João Campos. 

Em entrevista ao PodJá- O Podcast do Jamildo, o deputado estadual e presidente estadual do PSB, Sileno Guedes, afirmou que Lula não é neutro e que deverá rumar com João Campos.

Sobre a possibilidade de palanque duplo, Sileno cita que a conjuntura é distinta de 2006, quando Eduardo Campos e Humberto Costa dividiram o apoio de Lula na disputa pelo Governo de Pernambuco. 

"Você já viu o Lula ser neutro em alguma coisa ao longo da história de vida dele? Pedir neutralidade ao presidente é não conhecer a história política dele [...] A governadora Raquel Lyra tá longe de ser Eduardo Campos e tá muito longe de ser Humberto Costa", citou o político socialista. 

Assista à entrevista: