Dani Portela defende PT contra Raquel Lyra e chama migração de Túlio um "desserviço para esquerda"

Dani Portela afirmou em entrevista que PT deve ser oposição ao Governo de Raquel Lyra. Nomes do partido na Alepe são majoritariamente favoráveis ao Governo

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 24/06/2026, às 08h11 - Atualizado às 09h26

Dani Portela
Fran Silva/Dani Portela

Recém-chegada ao Partido dos Trabalhadores (PT), a deputada estadual Dani Portela defendeu na terça-feira (23) uma posição diferente da maioria de seus correligionários na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) ao dizer que a legenda devia ficar na oposição ao Governo Raquel Lyra (PSD). A ex-pessolista ainda criticou a saída do deputado federal Túlio Gadelha da Rede Sustentabilidade para o PSD da governadora. 

A fala é contrária às ações da maioria do PT na Alepe, já que, com exceção do também recém-filiado João Paulo Costa (PT), os deputados João Paulo Lima, Doriel Barros e a deputada Rosa Amorim estão mais alinhados com a base da governadora Raquel Lyra.

Em entrevista para a Rádio Folha, Dani Portela criticou o alinhamento de setores progressistas com a gestão estadual por conta da presença de legendas conservadoras e de direita no palanque governista.

"Na política a gente tem que ter posição. Eu sempre tive minha posição muito firme, independente de partido. No PT também sou oposição a Raquel Lyra e acho que todo mundo do partido deveria defender o mesmo [...] Não existe aliança para uma eleição. A gente não disputa só voto, a gente disputa projeto de sociedade.", relatou Dani Portela.

Dani chegou a fazer uma referência indireta à deputada federal Clarissa Tércio (PP), que já declarou apoio para Raquel Lyra, ao dizer que "pessoas que foram para a frente de uma maternidade chamar uma menina de 10 anos estuprada pelo tio que engravidou de assassina. Eu não tenho como andar junto dessas pessoas".

Sobre divergências de posição na disputa eleitoral no estado, Dani afirmou que caberia " a todos os filiados e filiadas desse partido seguir as orientações dadas pelo PT, a direção local e a direção nacional do partido". 

A deputada também classificou a migração de  Túlio Gadêlha (PSD) para o partido da governadora como um "desserviço para a esquerda". Ela apontou contradição no movimento pelo fato de a sigla abrigar nomes de oposição nacional ao Palácio do Planalto.

PT mais governista que oposição

Na Alepe, o PT se mantém independente, mais a maioria dos políticos está mais próximo da governadora. 

João Paulo Lima encabeça esse grupo com diversos votos alinhados aos governistas, falas em defesa de um palanque duplo e até com críticas ao pré-candidato do PSB, o ex-prefeito do Recife João Campos. 

@blogdojamildo No PodJá deste sábado (19), o deputado João Paulo (PT) critica a privatização dos parques públicos e o perfil da gestão municipal do Recife. Assista agora e entenda por que ele vê um governo distante da periferia. ⠀ 📲 Assista à entrevista completa no canal do Jamildo no YouTube! #PodJá #JoãoPaulo #JoãoCampos #Recife #Política #JamildoMelo #PrefeituraDoRecife @joaopaulodopt ♬ som original - Jamildo.com

Mais discreta em posições do tipo, a pré-candidata à Câmara Federal Rosa Amorim participa de diversas agendas da gestão Raquel e já chegou a receber apoio do prefeito de Caruaru e aliado da governadora, Rodrigo Pinheiro (PSD). 

Rodrigo Pinheiro, Humberto Costa, Rosa Amorim e Anderson sorriem com as mãos juntas, uma em cima da outra
Roberto Stuckert Filho

Apesar de críticas maiores no começo do mandato de Lyra, Rosa tem presença frequente em agendas institucionais com Raquel, especialmente em temas do MST, reforma agrária, agricultura familiar e políticas sociais. 

Raquel Lyra, Priscila Krause, Rosa Amorim seguram documento enquanto sorriem em pé, ao lado estão dois homens e uma mulher negra
Janaína Pepeu/Secom PE