Coligação de João Campos cita pagamentos, contratos públicos e suposto uso de Pix e pede quebra de sigilos e preservação de dados digitais
por Plantão Jamildo.com
Publicado em 29/09/2026, às 11h14
Frente Popular protocolou nesta terça-feira (29) aditamento à representação contra Amisadai Andrade.
Novo vídeo mostra o ex-servidor falando sobre pagamentos para uma rede de perfis digitais.
Coligação pede quebra de sigilos, preservação de dados e ampliação das investigações eleitorais.
Defesa de Amisadai nega a existência de um “gabinete do ódio” e questiona parte das gravações.
A equipe jurídica da Frente Popular de Pernambuco, coligação que apoia João Campos (PSB) na disputa pelo Governo do Estado, protocolou nesta terça-feira (29) um aditamento à representação criminal apresentada contra Amisadai Andrade. O pedido foi encaminhado à Justiça Eleitoral após a divulgação de um novo vídeo no qual o ex-servidor aparece discutindo pagamentos e a atuação de uma rede de perfis digitais que, segundo a coligação, seria utilizada para atacar João Campos.
As imagens foram divulgadas pela imprensa no sábado (26) e mostram Amisadai em uma reunião com José Roberto Júnior e Rodolfo Costa, sócios do Portal de Prefeitura. No encontro, os participantes conversam sobre a produção e disseminação de conteúdos coordenados e sobre a forma de remuneração de pessoas envolvidas na estrutura.
Em determinado momento, ao explicar como os pagamentos seriam realizados, Amisadai afirma: “a gente já recebeu até em caixa de charuto”. A Frente Popular sustenta que o material reforça as suspeitas apresentadas anteriormente e pede que os novos elementos sejam incorporados à investigação.
De acordo com a coligação, os conteúdos teriam como objetivo atingir a imagem de João Campos e beneficiar a governadora Raquel Lyra (PSD), adversária do socialista na eleição estadual. A equipe jurídica afirma ainda que é necessário rastrear a origem e a movimentação dos recursos utilizados na suposta estrutura.
Entre os pontos levantados no pedido estão repasses feitos pelo Governo de Pernambuco ao Portal de Prefeitura ao longo de 2026. A Frente Popular solicitou ao Ministério Público Eleitoral que amplie o escopo das apurações para verificar eventual relação entre os pagamentos públicos e a estrutura descrita nas gravações.
O aditamento também pede a investigação de possíveis crimes eleitorais previstos na Lei das Eleições, incluindo a eventual contratação de grupos para produzir e disseminar mensagens ofensivas contra candidatos. A representação menciona ainda possíveis crimes contra a honra e pede que sejam apuradas eventuais conexões com organização criminosa, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica eleitoral, neste último caso relacionada à possível omissão de despesas de campanha.
A coligação requereu ainda medidas que considera urgentes para preservar elementos que possam ser utilizados na investigação. Entre elas estão a preservação cautelar de dados digitais armazenados por provedores, a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos envolvidos e a tomada de depoimentos de testemunhas e dos sócios citados nas reportagens.
Outro ponto incluído no pedido diz respeito a relatos publicados pela imprensa sobre supostos pagamentos via Pix para a produção de comentários em redes sociais. Segundo a equipe jurídica da Frente Popular, as informações apontam para a possível participação de pessoas ligadas a uma empresa do setor de apostas sediada em Caruaru no financiamento de pacotes de comentários destinados a atacar João Campos.