Cartazes apócrifos contra Raquel Lyra serão investigados pela Polícia Federal

Decisões determinam perícias, preservação de imagens e dados digitais para apurar origem e autenticidade de materiais divulgados nas redes

Plantão Jamildo.com

por Plantão Jamildo.com

Publicado em 07/09/2026, às 07h51

Governadora Raquel Lyra e prefeito do Recife, João Campos
Governadora Raquel Lyra e prefeito do Recife, João Campos - DIVULGAÇÃO

A Justiça Eleitoral de Pernambuco determinou a abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) para investigar a origem e a autoria de cartazes apócrifos contra a governadora Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição. Os materiais foram encontrados afixados no Bairro do Recife e registrados em imagens divulgadas pelo blog e perfil no Instagram Bastidor.PE.

Um dos cartazes traz uma fotografia de Raquel acompanhada da frase "ela matou o marido para ganhar a eleição", em referência ao empresário Fernando Lucena, que sofreu um mal súbito no dia do primeiro turno da eleição estadual de 2022. Outro material apresenta a expressão "matadoras de maridos" e uma montagem da governadora ao lado de Elize Matsunaga, condenada pelo assassinato e esquartejamento do marido em 2012, e da ex-deputada federal Flordelis, condenada em 2022 como mandante do assassinato do esposo.

A investigação foi solicitada inicialmente pela coligação Pernambuco de Coração, que apoia Raquel Lyra. O caso começou a tramitar na 8ª Zona Eleitoral do Recife e foi posteriormente encaminhado ao Juízo das Garantias da Justiça Eleitoral de Pernambuco, responsável pela fase pré-processual.

Na terça-feira (1º), a juíza eleitoral Anamaria de Farias Borba Lima Silva determinou a abertura do inquérito e acolheu pedidos de urgência apresentados pela governadora e pela coligação para preservar provas físicas e digitais relacionadas aos cartazes.

Entre as medidas, a magistrada determinou que a Polícia Federal apreenda eventuais exemplares remanescentes e realize perícias gráficas e documentoscópicas. Os exames deverão analisar o processo de impressão, o tipo de papel, a tinta, os equipamentos empregados e possíveis impressões digitais.

A decisão também determinou que a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS), a CTTU e a Prefeitura do Recife preservem imagens de câmeras de segurança instaladas no Bairro do Recife e nas áreas próximas aos locais onde os cartazes foram encontrados. A empresa LTX Segurança Privada Ltda., que opera câmeras em uma das ruas, foi igualmente intimada a conservar as gravações e os registros de leitura de placas de veículos.

Na sexta-feira (4), a investigação foi ampliada após a Frente Popular de Pernambuco, coligação do candidato ao Governo João Campos (PSB), apresentar uma petição à Justiça Eleitoral. O grupo não contestou a existência dos cartazes, mas questionou a origem das imagens e os elementos disponíveis para identificar quem produziu, instalou e divulgou os materiais.

A partir da manifestação, a Justiça determinou novas diligências para esclarecer as circunstâncias da produção e da divulgação das fotografias, incluindo a preservação dos arquivos digitais originais.

A Frente Popular também apontou possíveis vínculos entre integrantes do Bastidor.PE e a campanha de Raquel Lyra. Segundo a coligação, Léo Malafaia, que aparecia no expediente do portal, atua como videomaker da campanha da governadora.

Malafaia teve o nome retirado da relação de integrantes do portal depois que os possíveis vínculos foram divulgados. Na noite de quarta-feira (2), matérias associadas a ele também foram excluídas. Fillipe Vilar e Rodrigo Ambrósio continuam listados como colaboradores do Bastidor.PE.

A Justiça Eleitoral considerou que a retirada do nome e a exclusão de conteúdos representavam "risco concreto de perecimento ou alteração de elementos probatórios armazenados em ambiente digital". Por isso, determinou que os administradores do portal entregassem à Polícia Federal, em 48 horas, o arquivo digital original das fotografias, em formato nativo e sem compressão, com metadados completos, incluindo data, horário, coordenadas geográficas e equipamentos utilizados.

Também foi determinada a preservação integral, pelo portal, pelo provedor de hospedagem e pela Meta, empresa responsável pelo Instagram, de logs de acesso, endereços de IP, históricos de alterações e conteúdos excluídos ou modificados a partir de 2 de setembro de 2026. Os dados deverão ser mantidos sob sigilo para evitar eventual supressão ou destruição de registros.

Em manifestação sobre a petição da Frente Popular, a coligação Pernambuco de Coração afirmou que o processo foi aberto originalmente por sua própria equipe jurídica e classificou a nova decisão como uma medida complementar dentro da mesma ação.

"Seguimos confiando na atuação das instituições do judiciário e nas Polícias Civil e Federal para elucidar a situação, encontrar e punir os culpados. É do interesse de todos e fundamental para a manutenção do processo democrático que estas práticas não sejam toleradas sob nenhum aspecto", afirmou a coligação.