Gilson Machado e Anderson Ferreira entram em novo atrito após discurso de Anderson na filiação de Raquel Lyra ao PSD
por Cynara Maíra
Publicado em 17/03/2025, às 06h50
As tensões no Partido Liberal de Pernambuco avançam após a demonstração de apoio de Anderson Ferreira, presidente estadual da legenda, durante o evento de filiação de Raquel Lyra ao PSD, na última segunda-feira (10).
O ex-ministro do Turismo Gilson Machado (PL) e outros bolsonaristas do estado criticaram o discurso de Ferreira durante a filiação. O ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes falou sobre a necessidade de união em torno do projeto da ex-tucana.
Em entrevista para o Diário de Pernambuco, Gilson Machado teceu diversas críticas ao posicionamento de Anderson, ao relatar que o presidente estadual do PL estaria "perdido" e com um comportamento "isolado e desesperado" ao se posicionar em um evento próximo de dois ministros do presidente Lula (PT).
O ex-ministro, aliado de Jair Bolsonaro (PL), criticou a ausência de Ferreira em eventos da direita no Estado e insinuou que sua aproximação com Raquel Lyra indica um distanciamento do conservadorismo.
“Não tinha nenhum representante da direita com Raquel, mas tinham dois ministros de Lula [Alexandre Padilha e André de Paula], e eu notei o Anderson Ferreira muito confortável ao lado deles. Na realidade, o DNA dele é de centro-esquerda”, alfinetou Gilson Machado, reforçando sua insatisfação com os rumos do PL sob a liderança de Ferreira.
Diante das críticas, Anderson Ferreira reagiu, afirmando também ao Diário que sua prioridade é trabalhar por Pernambuco e que o alinhamento do PL para as eleições de 2026 será definido no momento oportuno. Ele garantiu que o partido não apoiará nenhum candidato vinculado ao presidente Lula.
"Desde 2022 temos deixado claro que o momento é de ajudar Pernambuco, não importa como, e temos trabalhado por isso, em meio a convergências e divergências, o que é natural. Em relação a 2026, isso será tratado em 2026, mas uma coisa é certa: não estaremos ao lado de nenhum candidato que tenha o apoio oficial do governo ou de Lula", afirmou Ferreira.
A situação pode ser um impasse em um eventual apoio de Ferreira à reeleição de Raquel, já que a governadora tenta se aproximar do PT e do presidente Lula, sendo esse um dos motivos para sua filiação ao PSD.
O dirigente estadual também rebateu as críticas sobre sua gestão à frente do PL pernambucano, enfatizando que todas as decisões são alinhadas com Valdemar Costa Neto.
"Todos os movimentos que faço como presidente estadual do partido são alinhados com a direção nacional. O desconforto de alguns filiados está na falta de confiança do presidente do partido neles. Todos têm a liberdade de seguir o caminho que considerarem mais adequado, mas eu tenho o compromisso de continuar trabalhando para fortalecer o projeto do PL em Pernambuco e no Brasil", declarou.
A fala sobre a falta de confiança de Valdemar da Costa Neto faz referência aos impasses entre o presidente nacional da legenda e Gilson Machado. Em 2024, durante a disputa pela eleição do Recife, Valdemar chegou a dizer que não passaria mais recursos para campanha de Gilson porque seria "queimar dinheiro".
A divisão dentro do PL no Estado não é recente. Desde 2023, a sigla se encontra fragmentada entre o grupo dos Ferreira, que mantém proximidade com o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, e a ala bolsonarista, comandada por Gilson Machado.
Em 2024, a briga por recursos na disputa pelo Recife, por exemplo, marcou diversas alfinetadas entre o grupo de Gilson e os Ferreira. O ex-ministro de Bolsonaro chegou a citar que o presidente estadual do PL favoritava seu cunhado Fred Ferreira no repasse de recursos.
Nos bastidores, o embate entre Anderson Ferreira e Gilson Machado pode culminar na saída da ala bolsonarista do PL.
O Jamildo.com revelou em primeira mão a possibilidade de que Machado, o vereador Gilson Filho e o deputado estadual Alberto Feitosa avaliam migrar para o PP, comandado em Pernambuco pelo deputado federal Eduardo da Fonte.
O movimento teria como objetivo viabilizar candidaturas ao Senado e à Câmara Federal em 2026, já que a atual configuração do PL dificultaria o acesso a recursos do partido para campanhas majoritárias.