Anderson Ferreira cogita sair ao Senado independente de Raquel Lyra e João Campos

Em entrevista, presidente do PL afirmou que não descarta candidatura independente ao Senado. Rumores eram de que Anderson Ferreira iria para federal

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 13/01/2026, às 07h57 - Atualizado às 08h58

Coronel Meira, Valdemar Costa Neto e Anderson Ferreira sorriem segurando a mão um do outro
Anderson Ferreira diz que PL endossa sua candidatura ao Senado e que nome deve ser independente - Reprodução

Senado: Anderson Ferreira reafirma desejo de disputar o Senado, mesmo sem apoio de Raquel Lyra ou João Campos.

Independência: O líder do PL cogita candidatura avulsa, apostando no voto vinculado à disputa nacional e ao apoio de Flávio Bolsonaro.

Rumores: Anderson negou especulações de que disputaria vaga de deputado federal e garantiu que o irmão, André Ferreira, tentará a reeleição para a Câmara.

Jaboatão: O ex-prefeito minimizou a saída de Mano Medeiros para o PSD, mas admitiu falta de diálogo prévio sobre a mudança.

PL Unido: Ferreira reforçou o isolamento de Gilson Machado na legenda, citando apoio da bancada estadual e federal ao seu projeto majoritário.

Após rumores de que a mudança de partido do prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Mano Medeiros (ex-PL e agora PSD), alterou os planos de Anderson Ferreira (PL) sobre sua pretensão ao Senado, o presidente do PL-PE reafirmou o interesse de disputar a Câmara Alta.

Em entrevista para a Rádio Folha na segunda-feira (12), o ex-prefeito de Jaboatão afirmou haver possibilidade de disputar o Senado de maneira independente.

Anderson considera lançar candidatura fora das composições dos principais pleiteantes na eleição pelo Governo de Pernambuco: o prefeito João Campos (PSB) e a governadora Raquel Lyra (PSD).

"Se não houver espaço para compor uma chapa, a gente tem condições de sair independente, alinhado com a candidatura nacional. Isso não enfraquece o projeto, ao contrário, fortalece", disse Ferreira.

O dirigente partidário argumentou que o voto para o Senado é "verticalizado" e influenciado pela disputa nacional. Ele citou as eleições de 2022, quando candidatos ao Senado de Marília Arraes e Raquel Lyra não conseguiram transferir votos.

"Quem deu voto para Teresa Leitão não foi o PSB. Foi o candidato Lula. Quem deu voto para o Gilson não foi Anderson Ferreira. Foi o candidato Bolsonaro", analisou.

Anderson até respondeu sobre uma possível aliança com João Campos, mas citou que o impasse entre as articulações com o socialista é o endosso do prefeito ao presidente Lula (PT). 

Racha com Mano Medeiros e rumores sobre chapa

As falas de Anderson ocorrem logo após o Jamildo.com repercutir especulações sobre uma mudança de planos dos irmãos Ferreira. A tese de bastidores apontava que André Ferreira (PL) tentaria uma vaga na Assembleia Legislativa (Alepe) para rivalizar com a primeira-dama de Jaboatão, Andréia Medeiros (PSD), pré-candidata a estadual.

Para manter o espaço da família na Câmara dos Deputados, Anderson disputaria para deputado federal, abrindo mão do Senado. O movimento seria uma resposta à migração de Mano Medeiros para o PSD, partido da governadora Raquel Lyra, o que foi interpretado como um distanciamento político.

Anderson negou a estratégia e reafirmou a candidatura do irmão à reeleição na Câmara.

"André vai concorrer a deputado federal novamente? Lógico! Por que não? É muita especulação", rebateu Anderson.

Sobre a saída de Mano Medeiros do PL, Anderson minimizou o atrito e evitou falar em traição, mas admitiu que não foi consultado previamente sobre a mudança.

"Eu não acredito numa traição, jamais. Até porque o povo de Pernambuco não admite traição, especialmente em família", declarou, acrescentando que não conversou com o prefeito após a filiação ao PSD.

Isolamento de Gilson Machado

A entrevista também serviu para Anderson reforçar sua liderança no PL estadual e o isolamento do ex-ministro Gilson Machado. O presidente da sigla afirmou que o partido está unido em torno de seu nome para o Senado e citou o apoio de deputados bolsonaristas como Coronel Feitosa e Coronel Meira.

"Se apenas uma pessoa está tendo esse problema, então o problema não é do PL, nem do nosso grupo e nem da direita. O problema é de uma única pessoa", alfinetou, referindo-se a Gilson.

Rumores são de que Gilson deve sair do partido para disputar um cargo em 2026. Na última reunião do PL com pré-candidatos de 2026, o ex-ministro de Bolsonaro não esteve presente