O TSE divulgou a distribuição dos recursos do Fundo Eleitoral para eleição de 2026. Em Pernambuco, os 3 mais ricos estarão em posições diferentes
por Cynara Maíra
Publicado em 04/06/2026, às 10h05 - Atualizado às 11h34
Divisão Nacional: O TSE oficializou o rateio de R$ 4,9 bilhões do Fundo Eleitoral para o pleito de 2026, com PL (R$ 881,6 milhões), PT (R$ 615,3 milhões) e União Brasil (R$ 526,2 milhões) liderando os valores.
Cenário de Pernambuco: Os três partidos mais ricos do fundo atuarão em frentes distintas na disputa estadual, divididos entre o apoio à reeleição de Raquel Lyra, a postulação de João Campos e a posição independente do PL.
Regra das Federações: Por força de lei, os partidos que integram federações precisam manter o mesmo alinhamento nacional. Com isso, a federação União Progressista (União/PP) soma R$ 943,2 milhões no topo do orçamento e marchará com Raquel Lyra.
Estratégia do PT e PL: A Federação Brasil da Esperança (PT/PCdoB/PV) soma R$ 720,4 milhões e apoiará João Campos, superando divergências locais do PV. Já o PL, isolado com R$ 881,6 milhões, projeta candidatura independente com Anderson Ferreira mirando o Senado.
Critérios de Envio: Os diretórios nacionais definem os repasses para os estados com base no tamanho do eleitorado e na viabilidade das candidaturas, respeitando as cotas obrigatórias de 30% para mulheres e a proporcionalidade para negros.
Trava nos Repasses: Os partidos podem transferir verbas do Fundo Eleitoral para candidatos a governador de outras siglas desde que estejam na mesma coligação majoritária. O repasse financeiro entre legendas diferentes continua proibido para a disputa de deputados.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou na quarta-feira (03) a distribuição dos R$ 4,9 bilhões reservados no Orçamento para o Fundo Especial de Financiamento de Campanha de 2026.
No cenário político de Pernambuco, os três grupos partidários que concentram os maiores volumes de recursos do fundo seguirão caminhos opostos e atuarão em três posições distintas na disputa pelo governo estadual.
Com uma eleição de até o momento apenas três pré-candidatos e dois altamente polarizados, a disputa em Pernambuco ficará marcada entre três posições: os que apoiam a reeleição de Raquel Lyra (PSD), os que desejam a volta do PSB com João Campos e os independentes, divididos entre a direita do PL e a esquerda do PSOL/REDE, que pleiteiam Ivan Moraes para o posto.
A atual legislação eleitoral determina que os partidos integrados em federações devem se comportar como uma única sigla partidária. Como essa regra obriga as legendas do bloco a manterem o mesmo alinhamento político em todo o país e se comportarem como um só, o grupo com maior número de recursos é a federação União Progressista, que reúne o União Brasil e o PP, somando R$ 943,2 milhões. Em Pernambuco, essa força política estará ao lado da governadora Raquel Lyra (PSD).
A segunda posição, quando contado as federações, e a primeira como partido isolado, fica com o Partido Liberal (PL), que conta com R$ 881,6 milhões. A legenda escolheu seguir um caminho de independência na disputa estadual, ao menos no primeiro turno do pleito, segundo indicações recentes do ex-prefeito Anderson Ferreira, que almeja disputar o Senado de olho na nacionalização do pleito,.
O terceiro maior montante está com a Federação Brasil da Esperança, bloco do PT, PCdoB e PV, que acumula R$ 720,4 milhões.
O grupo oficializou o apoio à postulação do ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB). Apesar do presidente estadual do PV, Clodoaldo Magalhães, declarar apoio para Raquel Lyra, como o PT é majoritário no grupo, essa deve ser a tendência da federação.
O partido de Raquel Lyra, o PSD, é o quarto na lista, recebendo R$ 421 milhões. Apesar do PSB de João Campos ficar na 12ª posição, outras legendas como o MDB e Republicanos aumentam o peso. Os socialistas recebem R$ 152 milhões.
É importante ressaltar que apenas partidos que estejam na mesma coligação nas disputas majoritárias podem repassar dinheiro para candidaturas de outras legendas.
Abaixo, veja o ranking completo da distribuição do Fundo Eleitoral para 2026, considerando a soma das federações partidárias:
| Posição | Partido / Federação | Valor Unificado | Composição da Força Política | Posição na eleição de Pernambuco |
| 1º | Federação União Progressista | R$ 943,2 milhões | UNIÃO (R$ 526,2M) + PP (R$ 417M) | Raquel Lyra |
| 2º | Partido Liberal (PL) | R$ 881,6 milhões | Partido isolado | Independência |
| 3º | Federação Brasil da Esperança | R$ 720,4 milhões | PT (R$ 615,3M) + PCdoB (R$ 60M) + PV (R$ 45,1M) | João Campos |
| 4º | Partido Social Democrático (PSD) | R$ 421,0 milhões | Partido isolado | Raquel Lyra |
| 5º | Movimento Democrático Brasileiro (MDB) | R$ 400,0 milhões | Partido isolado | João Campos |
| 6º | Republicanos | R$ 348,5 milhões | Partido isolado | João Campos |
| 7º | Podemos | R$ 245,9 milhões | Partido isolado | Raquel Lyra |
| 8º | Federação PSDB Cidadania | R$ 207,9 milhões | PSDB (R$ 147,8M) + CIDADANIA (R$ 60,1M) | Raquel Lyra |
| 9º | Partido Democrático Trabalhista (PDT) | R$ 169,0 milhões | Partido isolado | João Campos |
| 10º | Federação PSOL REDE | R$ 167,3 milhões | PSOL (R$ 131,5M) + REDE (R$ 35,8M) | Ivan Moraes |
| 11º | Federação Solidariedade / PRD | R$ 160,3 milhões | SOLIDARIEDADE (R$ 88,5M) + PRD (R$ 71,8M) | Raquel Lyra |
| 12º | Partido Socialista Brasileiro (PSB) | R$ 152,2 milhões | Partido isolado | João Campos |
| 13º | Avante | R$ 72,5 milhões | Partido isolado | Raquel Lyra |
| 14º | Novo | R$ 37,0 milhões | Partido isolado | Tende a ficar com Raquel Lyra, mas não se pronunciou ainda |
| 15º | Agir | R$ 3,3 milhões | Partido isolado | Não tem representação forte em Pernambuco |
(Nota: Os partidos Democracia Cristã, Mobiliza, PCB, PCO, PRTB, PSTU e UP também receberão R$ 3,3 milhões cada um, ocupando a base do ranking da Justiça Eleitoral).
Após o depósito do montante total para cada diretório nacional, esses partidos irão aprovar um plano de metas e critérios de distribuição dos recursos. O documento estabelecerá a porcentagem que cada diretório estadual receberá e quais candidaturas serão prioridade.
O envio dos recursos considera normalmente o tamanho do eleitorado e locais com candidatos mais competitivos, com chances reais de vitória. Mesmo assim, a legislação exige que haja uma reserva mínima de 30% para candidaturas femininas e a proporcionalidade para candidatos negros.
O volume financeiro que uma legenda recebe nacionalmente decorre exclusivamente do tamanho de sua bancada eleita no Congresso Nacional na eleição anterior. A ausência de um candidato ao governo ou ao Senado em um estado não altera o montante global da sigla, mas modifica a estratégia de aplicação do dinheiro.
Quando um partido rico não disputa o cargo majoritário em solo estadual, a executiva nacional direciona a totalidade das verbas para as campanhas proporcionais de deputados federais e estaduais.
Os partidos podem auxiliar financeiramente as campanhas de candidatos ao governo que eles apoiam caso estejam na mesma coligação majoritária oficialmente.
A legislação proíbe o repasse de verbas entre legendas diferentes para candidaturas proporcionais (deputado estadual e federal), principalmente após o fim das coligações para cargos de eleição proporcional (que usa o coeficiente eleitoral).
A legislação permite gastos compartilhados e materiais conjuntos, autorizando o pagamento de panfletos, carreatas ou comerciais de televisão onde apareçam o candidato a deputado e o candidato majoritário apoiado, desde que o material exiba o CNPJ de ambos e o rateio dos custos conste formalmente na prestação de contas.