Governadora Raquel Lyra decretou luto oficial de três dias em respeito à memória e à trajetória do também jornalista Raimundo Carrero
por Otávio Gaudêncio
Publicado em 16/06/2026, às 11h02
O escritor e jornalista pernambucano Raimundo Carrero morreu aos 78 anos, nesta terça-feira (16), no Recife, em decorrência de um câncer em estágio avançado.
Natural de Salgueiro, Carrero foi membro da Academia Pernambucana de Letras e vencedor de importantes prêmios literários, incluindo o Prêmio Jabuti.
O velório será realizado na sede da Academia Pernambucana de Letras, no bairro das Graças, no Recife.
Durante sua trajetória no jornalismo, popularizou o mito da Perna Cabeluda, interpretado por pesquisadores como uma crítica ao período da ditadura militar.
O Governo de Pernambuco decretou luto oficial de três dias, e autoridades como Raquel Lyra, Victor Marques e João Campos lamentaram a morte do escritor.
Faleceu, na manhã desta terça-feira (16), o escritor e jornalista pernambucano Raimundo Carrero, aos 78 anos de idade, no Recife. A causa da morte foi um câncer, em estágio avançado e próximo à região do pulmão.
Segundo informações da família apuradas pela TV Globo, Carrero estava internado há uma semana no Hospital Esperança, na Ilha do Leite.
Salgueirense, o autor, membro da Academia Pernambucana de Letras desde 2004, conquistou o prêmio Jabuti, em 2000, na categoria Contos e Crônicas, além de também ter sido reconhecido em premiações como Prêmio São Paulo de Literatura (2010), Prêmio Machado de Assis da Biblioteca Nacional (1996 e 2010) e Prêmio APCA (1996).
O velório do autor acontecerá ainda nesta terça, na sede da Academia Pernambucana de Letras, na Avenida Doutor Malaquias, no bairro das Graças. "Foi um dos mais importantes escritores pernambucanos de sua geração", publicou a academia.
O autor parte no mesmo dia em que seu grande amigo Ariano Suassuna completaria 99 anos de idade.
Durante seus 25 anos à frente do Diário de Pernambuco, Raimundo Carrero foi responsável pela popularização do mito recifense da 'Perna Cabeluda', quando publicou coluna sobre em 1976.
Pesquisadores sobre o tema analisam o mito como uma ferramenta utilizada para denunciar situações de violência e de repressão vividas em meio ao período da ditadura militar.
Em comunicado, o Governo de Pernambuco decretou luto oficial de três dias, em respeito à memória e em reconhecimento à trajetória do autor. "A minha solidariedade à família, amigos e inúmeros leitores neste momento de despedida. A escrita de Carrero jamais será esquecida. O seu legado também", disse a governadora Raquel Lyra (PSD).
O prefeito do Recife, Victor Marques (PCdoB), também lamentou a notícia. "Sua história, suas palavras e sua contribuição à nossa cultura seguirão vivas", declarou.
Ex-gestor da capital pernambucana durante seis anos, João Campos (PSB) ressaltou a relevância do escritor para Pernambuco. "Carrero ajudou a projetar Pernambuco para o Brasil e para o mundo, formando gerações de leitores e escritores e enriquecendo o patrimônio cultural do nosso país", escreveu.