No PodJá, Ingrid Zanella abordou a criação de uma comissão processante no Conselho Federal, a ampliação da advocacia dativa e o uso de IA no direito
por Cynara Maíra
Publicado em 12/09/2026, às 09h10 - Atualizado às 10h01
Código de Ética: Ingrid Zanella defendeu a aprovação de um código de conduta formal para os ministros do Supremo Tribunal Federal.
Abertura de Inquéritos: A OAB apoia apurações sobre a Suprema Corte e solicitou o encerramento do inquérito das fake news.
Votação do Quinto: A eleição da lista sêxtupla para o TJPE terá votação online no dia 6 de outubro, com garantia de três vagas para mulheres e cota racial de 30%.
Defesa Dativa: A OAB-PE estruturou o sistema de advocacia dativa com pagamento de honorários pela PGE em até 45 dias após a realização do ato processual.
Uso da IA: A presidente da instituição afirmou que a inteligência artificial serve como ferramenta de apoio, sem substituir o raciocínio estratégico dos advogados.
A presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em Pernambuco (OAB-PE), Ingrid Zanella, defendeu a criação de um código de conduta para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em entrevista ao jornalista Jamildo Melo, no PodJá, a dirigente tratou da crise institucional no Judiciário, apresentou as regras para a escolha da lista sêxtupla do Quinto Constitucional e detalhou ações voltadas ao mercado de trabalho dos advogados.
Primeira mulher a presidir a OAB-PE, Zanella afirmou que a entidade mantém atuação técnica e independente dos governos e partidos políticos.
O episódio completo com Ingrid Zanella vai ao ar neste sábado, às 14h, no canal do Jamildo.com no YouTube.
Ingrid Zanella comentou as reuniões realizadas no Conselho Federal da OAB, em Brasília, para discutir os desdobramentos de investigações e condutas atribuídas a membros da Suprema Corte. A advogada defendeu apurações completas e o encerramento do inquérito que apura notícias falsas.
"A nenhum cidadão, a nenhum advogado e advogada interessa o enfraquecimento do Judiciário e do Supremo Tribunal Federal. Os fatos revelados justificam a abertura de investigações, a abertura de inquérito e o fim do inquérito das fake news, que perdura por sete anos. Nós deliberamos no Conselho Federal a instituição de uma comissão processante, com acesso a todos os autos, para propor as medidas cautelares necessárias, inclusive afastamento, se for o caso", afirmou.
A presidente da OAB-PE declarou apoio a regras mais rígidas para o ingresso no tribunal.
"Eu sou completamente favorável a um código de conduta. Nós precisamos analisar como o ministro chega ao STF, quais são as suas formas de nomeação e se deve existir mandato específico para garantir maior imparcialidade e a mitigação desse poder", declarou a dirigente.
A dirigente explicou as alterações aprovadas pelo Conselho Pleno da OAB-PE para a formação da lista sêxtupla da advocacia ao Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), com votação para 6 de outubro. O modelo anterior, baseado na paridade de gênero, foi substituído por um sistema de cotas.
A lista deve conter, no mínimo, três mulheres e prever a aplicação da reserva de 30% para candidatos pretos e pardos. A votação da classe acontecerá em formato digital.
"Nós deliberamos que seria mais eficiente termos, ao invés da paridade, a cota para mulheres. Hoje teremos no mínimo três mulheres concorrendo à vaga do Quinto Constitucional e uma delas sendo negra, porque também aprovamos a cota de 30% para pretos e pardos. Isso abre portas para que outras mulheres ocupem esses espaços", explicou Ingrid Zanella.
A presidente lembrou que a responsabilidade da instituição termina com o envio da lista sêxtupla, cabendo ao TJPE a escolha da lista tríplice e ao Poder Executivo estadual a nomeação final do novo desembargador ou desembargadora.
No balanço das ações institucionais, Ingrid Zanella apontou a regulamentação da advocacia dativa em Pernambuco como a principal medida econômica da gestão. O programa atende cidadãos sem condições financeiras de contratar advogados em locais onde a Defensoria Pública tem atuação limitada.
O acordo firmado com a Procuradoria Geral do Estado (PGE-PE) e o TJPE prevê que os profissionais nomeados por juízes recebam a remuneração em até 45 dias.
"Esse é o nosso projeto de acesso à justiça e de empregabilidade. O cidadão que não tem condições financeiras de arcar com o custo de um advogado vai ter um defensor nomeado pelo juiz. E o advogado que trabalhou recebe em até 45 dias pela PGE", informou.
A dirigente também citou a aprovação de leis que garantem o destaque de honorários em processos administrativos no Recife e no governo estadual.
Sobre o avanço da inteligência artificial, Zanella rejeitou a visão de que a ferramenta eliminará postos de trabalho, mas defendeu o treinamento contínuo para evitar erros e citações inexistentes.
"A inteligência artificial é uma assessora, mas não substitui a advocacia. A nossa profissão não é uma mera aplicação normativa. O advogado que não souber utilizar a inteligência artificial pode perder espaço para aquele que usa e faz uma melhor gestão de tempo e escritório", concluiu.
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