Projeto de alunos da rede estadual que combate violência doméstica é selecionado para Harvard

Aplicativo desenvolvido por alunos funciona como um canal de denúncia para estudantes que vivenciam situações de violência em ambientes familiares

Otávio Gaudêncio

por Otávio Gaudêncio

Publicado em 11/03/2026, às 08h40 - Atualizado às 11h07

Foto dos integrantes do grupo
Grupo ficou em primeiro lugar no Nordeste e na segunda posição no ranking nacional - Divulgação / SEE

Ex-alunos da Escola Técnica Estadual Ministro Fernando Lyra, em Caruaru, foram selecionados para apresentar o Projeto Vivas para a Universidade de Harvard, dos Estados Unidos.

O projeto consiste em um aplicativo que cria um canal seguro para que estudantes relatem situações de violência doméstica vividas no ambiente familiar.

O projeto ficou em 2º lugar nacional no programa Programa Diálogos, ligado à Brazil Conference.

A iniciativa foi desenvolvida pelos egressos da unidade de ensino Ingridy Silva e Kauã Silva, com orientação da professora Eligivania Macedo.

Após o relato no app, a escola acolhe a família e orienta sobre proteção, rede de apoio e caminhos para autonomia das vítimas.

Alunos egressos da Escola Técnica Estadual (ETE) Ministro Fernando Lyra, de Caruaru, foram selecionados para apresentar o Projeto Vivas, um aplicativo de celular que combate a violência doméstica, para a Universidade de Harvard, dos Estados Unidos

Segundo lugar nacional da 12ª edição do programa Diálogos, o Projeto Vivas consiste no desenvolvimento de um aplicativo que funciona como um canal seguro para que estudantes relatem situações de agressões vivenciadas no ambiente familiar.

Produzido pelos ex-alunos da rede estadual de ensino, Ingridy Silva e Kauã Silva, com orientação da professora e gestora da unidade, Eligivania Macedo, o projeto será apresentado por meio de vídeo durante programação oficial da Universidade de Harvard. 

O programa Diálogos é desenvolvido pela Brazil Conference e é considerado a maior conferência de estudantes brasileiros no exterior. Na etapa regional, o projeto pernambucano se destacou como primeiro lugar, em meio a outras 128 equipes inscritas.

Kauã Silva é graduando do curso de Ciência da Computação e destaca a importância da iniciativa escolar na promoção de cursos técnicos no resultado do Projeto Vivas.

“Eu cursei Desenvolvimento de Sistemas na escola e foi a partir desse curso que consegui estruturar o aplicativo. A base técnica que recebi foi essencial para transformar a ideia em algo concreto e funcional. Acredito no poder da tecnologia como ferramenta de transformação social”, disse.

Como funciona o aplicativo?

Após o registro do caso pelo aluno, a família é acolhida pela escola e recebe orientação sobre medidas de proteção, acesso à rede de apoio e demais encaminhamentos necessários.

"Professores e gestores são pontos de apoio para muitos estudantes. São eles que percebem mudanças de comportamento, quedas no desempenho, faltas frequentes. Em muitos casos, essas situações estão diretamente ligadas ao ambiente doméstico. Quando uma mulher sofre violência, não é apenas ela que é atingida. A estrutura familiar é afetada e, principalmente, os filhos. Esse sofrimento chega à escola, interfere na rotina e pode resultar em evasão. Foi a partir dessa compreensão que começamos a refletir”, destaca Ingridy, que atualmente atua na escola como agente da Busca Ativa.

Além disso, o projeto também busca promover a autonomia financeira das mulheres atendidas, por meio de orientações sobre qualificação profissional e possibilidades de empreendedorismo, a fim de que a vítima possa quebrar a relação de dependência financeira com o agressor.