Banco do Nordeste libera a terceira parcela para conclusão das obras da Transnordestina
por Jamildo Melo
Publicado em 12/05/2026, às 09h29 - Atualizado às 09h59
O Banco do Nordeste liberou mais R$ 41,2 milhões para as obras da Transnordestina, no trecho entre Piauí e Ceará.
Em 2026, os desembolsos já superam R$ 300 milhões.
Enquanto o Porto de Pecém avança como eixo logístico do Nordeste, Pernambuco continua sem definição concreta sobre o ramal para Suape.
Em um acerto com os governos do Piauí, Maranhão e Ceará, o trecho pernambucano segue fora da prioridade do projeto federal.
A cobrança por equilíbrio nos investimentos em infraestrutura voltou aos bastidores políticos do Estado.
O Banco do Nordeste (BNB) realizou nesta segunda-feira (11) um novo desembolso de R$ 41,2 milhões para as obras da Ferrovia Transnordestina. O valor integra o pacote de financiamento voltado ao trecho que liga Eliseu Martins, no Piauí, ao Complexo Industrial e Portuário de Pecém, no Ceará.
Enquanto Ceará e Piauí avançam na execução da ferrovia, Pernambuco segue aguardando definições concretas sobre o ramal que ligaria o Sertão ao Porto de Suape — uma cobrança antiga já registrada em diversas reportagens do site Jamildo.com.
Ao todo, o Banco do Nordeste já liberou mais de R$ 300 milhões em 2026 para a Transnordestina. A expectativa é de que cerca de R$ 1 bilhão ainda seja desembolsado até o fim do ano, conforme o avanço das obras. Em 2025, os repasses somaram R$ 1,7 bilhão.
Os recursos são oriundos do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e fazem parte do aditivo de R$ 3,6 bilhões anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no fim de 2025 para garantir a conclusão da ferrovia.
Com 1.209 quilômetros de extensão, a linha atualmente financiada percorre 53 municípios entre Piauí e Ceará, sob responsabilidade da Transnordestina Logística S/A (TLSA).
O diretor Financeiro e de Crédito do BNB, Wanger de Alencar, afirmou, em nota, que a obra já começa a atrair investimentos privados para a região.
“Estamos trabalhando juntos para a conclusão dessa ferrovia, que é fundamental para o desenvolvimento do Nordeste, pois representa um avanço importante para a infraestrutura regional e já está atraindo importantes investimentos”, declarou.
Apesar do avanço das obras no eixo cearense, Pernambuco continua fora da etapa prioritária da ferrovia. O trecho pernambucano, que historicamente foi defendido como estratégico para o Porto de Suape e para o escoamento da produção do interior nordestino, segue sem cronograma definitivo de execução.
O tema já foi alvo de críticas recorrentes de lideranças políticas e empresariais pernambucanas, que cobram do Governo Federal maior equilíbrio regional nos investimentos em infraestrutura. Nos bastidores, permanece a avaliação de que Pernambuco perdeu protagonismo no projeto original da Transnordestina, enquanto o Porto de Pecém consolidou vantagem logística no Nordeste.
Sem alarde, a nova liberação de recursos reforça novamente o avanço do trecho Ceará-Piauí, enquanto Pernambuco segue aguardando uma definição concreta sobre quando — e se — verá sua parte da ferrovia sair efetivamente do papel.