Recife criou 3.424 empregos com carteira assinada em agosto e 16.427 no ano; Pernambuco abriu 13.428 vagas mês e terceiro maior saldo do Brasil
por Jamildo Melo
Publicado em 30/09/2026, às 09h17 - Atualizado às 09h28
Recife completou oito meses seguidos de saldo positivo e responde por 44,5% dos empregos formais criados em Pernambuco de janeiro a agosto
Pernambuco, por sua vez, liderou o Nordeste e teve o terceiro maior saldo do Brasil em agosto, com 13.428 vagas
Na reta final da eleição estadual, os números entram no discurso político de grupos ligados às gestões municipal e estadual, embora o Caged não estabeleça relação causal entre políticas de governo e as contratações
O mercado de trabalho formal apresentou números positivos tanto no Recife quanto em Pernambuco em agosto, segundo dados do Novo Caged divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
A capital pernambucana criou 3.424 empregos com carteira assinada no mês e chegou ao oitavo mês consecutivo com mais admissões do que desligamentos.
No acumulado de janeiro a agosto, o Recife soma 16.427 novos postos formais. O número representa 44,5% das 36.874 vagas criadas em Pernambuco no mesmo período.
Em agosto, Pernambuco teve saldo de 13.428 empregos formais, terceiro maior resultado entre as unidades da Federação, atrás apenas de São Paulo, com 42.533, e Rio de Janeiro, com 20.886. O dado oficial do MTE confirma que o Estado ficou na liderança do Nordeste no mês.
No Recife, o saldo de 3.424 empregos em agosto resultou de 22.230 admissões e 18.806 desligamentos.
O setor de serviços respondeu pela maior parcela do resultado, com 2.524 vagas. A construção civil criou outras 696, enquanto o comércio teve saldo de 184 postos e a agropecuária, de 26.
Com o resultado, o estoque de empregos formais na capital chegou a 568.571 vínculos.
A participação do Recife no resultado estadual, porém, precisa ser observada também sob uma perspectiva geográfica mais ampla. A Região Metropolitana como um todo criou 5.690 empregos em agosto, correspondentes a 42,4% do saldo pernambucano no mês.
O desempenho estadual teve uma característica diferente do observado na capital.
Todos os cinco grandes setores tiveram saldo positivo em Pernambuco: serviços criaram 4.393 vagas; indústria, 3.296; agropecuária, 2.981; construção, 1.824; e comércio, 934.
Mas a safra da cana-de-açúcar teve peso relevante no resultado. A cadeia sucroenergética respondeu por 5.050 empregos, ou 37,6% de todo o saldo pernambucano de agosto.
A fabricação de açúcar respondeu por 2.790 vagas e o cultivo de cana, por outras 1.413.
Esse componente sazonal ajuda a dimensionar o resultado. Quando considerados os dados com ajuste sazonal, Pernambuco apresentou saldo de 3.110 postos em agosto, ante 748 em julho.
No acumulado de 2026, o Estado chegou a 36.874 empregos formais, dos quais 26.769 foram criados no setor de serviços.
O prefeito do Recife, Victor Marques (PCdoB), atribuiu o desempenho da capital a uma combinação entre atividade privada e investimentos públicos.
Segundo ele, a administração municipal trabalha para melhorar o ambiente de negócios, reduzir barreiras e ampliar as condições para investimentos e contratações.
A avaliação é uma posição da gestão municipal.
Segundo especialistas, os dados do Novo Caged registram admissões e desligamentos e permitem acompanhar a evolução do emprego formal, mas, isoladamente, não permitem atribuir a criação das vagas diretamente a uma determinada política pública ou administração.
No Governo de Pernambuco, a secretária estadual de Desenvolvimento Econômico, Danielle Jar Souto, destacou a expansão das contratações em diferentes setores, mas também reconheceu o efeito sazonal da cadeia sucroenergética sobre o resultado de agosto.
Os números são divulgados na reta final da eleição para o Governo de Pernambuco, na qual a governadora Raquel Lyra (PSD) disputa a reeleição contra, entre outros candidatos, o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB).
Por isso, os indicadores econômicos passaram também a integrar a disputa de narrativas entre os dois principais grupos políticos. Como o site Jamildo.com, já vinha acompanhando.
Na propaganda eleitoral, João Campos já vinha utilizando indicadores econômicos do Recife para defender o desempenho de sua gestão e fazer comparações com Pernambuco. Raquel, por sua vez, tem usado investimentos e resultados estaduais como parte da defesa de sua administração.
Os novos números oferecem argumentos aos dois lados, mas medem universos diferentes.
O Recife concentra 44,5% das vagas formais abertas no Estado no acumulado do ano e mantém sequência de oito meses com saldo positivo. Pernambuco, ao mesmo tempo, teve em agosto o maior saldo do Nordeste e o terceiro maior do Brasil.
A comparação também exige considerar a composição econômica de cada território. Enquanto o resultado recifense é fortemente concentrado nos serviços, o desempenho estadual de agosto recebeu impulso expressivo da safra da cana.
No Brasil, foram criados 165.827 empregos formais em agosto. O país acumula 1.134.033 novos postos com carteira assinada entre janeiro e agosto de 2026.