Raquel Lyra fecha 2025 com déficit primário para sustentar investimentos, aponta balanço do ano

Gestão Raquel Lyra encerra 2025 com alta na dívida consolidada, mas cumpre pisos constitucionais e amplia aportes em obras

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 30/01/2026, às 07h50 - Atualizado às 08h14

Raquel Lyra aumentou o déficit primário do estado, mas ampliou investimentos em Pernambuco
Raquel Lyra aumentou o déficit primário do estado, mas ampliou investimentos em Pernambuco

O Resultado: Raquel Lyra fechou 2025 com déficit primário de R$ 1,22 bilhão e aumento da dívida líquida para R$ 14,98 bilhões.

A Estratégia: O governo abandonou a política de corte de gastos de 2023 e passou a contrair empréstimos (R$ 3 bilhões) para financiar investimentos (R$ 4,3 bilhões).

A Arrecadação: O Estado arrecadou R$ 55,4 bilhões, com destaque para os R$ 27,6 bilhões provenientes do ICMS.

O Gargalo: O déficit previdenciário segue alto, com um rombo de R$ 4,1 bilhões no fundo financeiro e R$ 2,25 bilhões no sistema dos militares.

O Social: O governo cumpriu os pisos constitucionais, aplicando R$ 11 bilhões em Saúde e garantindo os repasses para a Educação.

A gestão da governadora Raquel Lyra (PSD) encerrou o exercício fiscal de 2025 com um aumento no endividamento do Estado e o registro de um déficit primário de R$ 1,22 bilhão.

Os dados constam nos relatórios de execução orçamentária e gestão fiscal do período, publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) desta sexta-feira (30).

Os números indicam uma mudança na estratégia do governo, que saiu de um ajuste fiscal no início do mandato para uma fase de expansão de gastos e investimentos financiados por operações de crédito.

A Dívida Consolidada Líquida (DCL) subiu de R$ 13,16 bilhões em 2024 para R$ 14,98 bilhões ao final de 2025. O movimento acompanha a estratégia da governadora de captar empréstimos para destravar obras estruturadoras. O Estado obteve cerca de R$ 3 bilhões em operações de crédito no último ano.

Esse cenário contrasta com o discurso de Raquel Lyra ao assumir o governo. A gestora apresentou o balanço de 2022, herdado de Paulo Câmara, como uma "herança maldita" devido ao déficit orçamentário daquele ano.

A governadora realizou um ajuste severo em 2023, cortando investimentos para obter superávit. no terceiro ano de mandato, a administração volta a registrar déficit primário e aumento da dívida para sustentar o nível de atividade econômica e as entregas políticas.

Para facilitar a compreensão, o Jamildo.com montou um infográfico interativo com os dados de 2025 e um comparativo geral com 2024, 2023 e 2023: 

Receitas e o Peso do ICMS

O Estado arrecadou um total de R$ 55,4 bilhões em receitas de 2025. A principal fonte de recursos continua na tributação própria. O Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) garantiu R$ 27,6 bilhões aos cofres estaduais.

As transferências da União também compõem uma fatia relevante do orçamento. O Fundo de Participação dos Estados (FPE) repassou cerca de R$ 14,1 bilhões brutos para Pernambuco no período.

Investimentos e Áreas Sociais

Apesar do déficit primário, o governo manteve o ritmo de obras. As despesas de capital voltadas para investimentos somaram R$ 4,3 bilhões. O valor supera os patamares da gestão anterior, que registrou pico de R$ 3,92 bilhões em 2022.

A administração também cumpriu os mínimos constitucionais em áreas prioritárias.

A Saúde recebeu R$ 11 bilhões (15,76% da receita de impostos), acima do piso de 12%.

A Educação contou com R$ 8,7 bilhões em gastos diretos e aplicação de R$ 9,99 bilhões em Manutenção e Desenvolvimento do Ensino (MDE), atingindo 25,2%.

A Segurança Pública consumiu cerca de R$ 4 bilhões, enquanto as despesas com o serviço da dívida (juros e amortizações) somaram R$ 3,86 bilhões.

Despesas e o Gargalo da Previdência

A folha de pagamento permanece como o maior custo da máquina pública. As despesas com pessoal e encargos sociais consumiram R$ 25,9 bilhões, o que representa quase metade de tudo o que o Estado executou.

O déficit previdenciário figura como o principal desafio fiscal. O Fundo Financeiro do regime próprio registrou um rombo de aproximadamente R$ 4,1 bilhões em 2025. A Proteção Social dos Militares também fechou no vermelho, com um resultado negativo de R$ 2,25 bilhões. O Tesouro Estadual precisa cobrir esses valores para garantir o pagamento de aposentadorias e pensões.

Esse não é um caso único de 2025. A previdência do estado de Pernambuco apresenta um déficit ("rombo") crônico e crescente na sua parcela mais significativa, que é o Fundo Financeiro e o Sistema dos Militares.

Apesar disso, há uma área previdenciária em superávit. Diferente dos anteriores, o Estado criou um fundo para os novos servidores (Fundo em Capitalização), em que o objetivo é poupar recursos para o futuro.

Este fundo não tem rombo; ele gera superávit, pois há muitos servidores contribuindo e quase ninguém aposentado por ele ainda.