Estados se posicionam contra pedido do presidente Lula de diminuição no tributo do ICMS sobre combustíveis, argumentando que o consumidor não sente a mudança
por Otávio Gaudêncio
Publicado em 18/03/2026, às 09h02 - Atualizado às 10h52
Raquel Lyra criticou o pedido de Luiz Inácio Lula da Silva para reduzir o ICMS dos combustíveis, alegando impacto financeiro no estado.
Segundo a governadora, a medida retiraria cerca de R$ 150 milhões mensais do caixa estadual, afetando também os repasses aos municípios.
O Comsefaz defendeu cautela, afirmando que a redução do imposto teria pouco efeito no preço final ao consumidor.
A alta dos combustíveis é atribuída a tensões no Oriente Médio, com impactos no fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz.
Em Pernambuco, o Procon-PE notificou 107 postos por possíveis aumentos abusivos, enquanto a Petrobras reforçou a necessidade de fiscalização.
Durante discurso na posse do novo presidente da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), a governadora Raquel Lyra (PSD) criticou o pedido do presidente Lula (PT) de diminuição no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) aplicado nos combustíveis.
"Não dá para, toda vez que apertar o cerco, os penalizados sermos nós... Porque a gente não tem dinheiro sobrando. Todo mundo está cheio de projeto para fazer e, quando você faz um planejamento, é difícil poder voltar atrás", criticou.
A declaração da governadora vem após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pedir colaboração dos governadores na redução de taxas sobre os combustíveis. Na ocasião, o Governo Federal anunciou ações para combater a escalada do preço do óleo diesel.
Dirigindo-se aos prefeitos presentes na solenidade da Amupe, Lyra afirmou que o reajuste no tributo representaria "R$ 150 milhões a menos por mês nos cofres do Governo do Estado", o que também influencia a fatia de 25% do valor repassada aos municípios.
Corroborando com a análise de Raquel Lyra, o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) divulgou uma nota demonstrando ser a favor da "proteção da população brasileira diante da volatilidade dos preços dos combustíveis", porém, de modo a considerar "o financiamento de políticas públicas essenciais custeadas pelos estados e municípios".
Baseado em publicação do Instituto de Pesquisa em Petróleo, Gás e Biocombustíveis (INEEP), o comitê defende que a mudança na tributação do produto surtiria pouco efeito para o consumidor final.
"A título de exemplo, em três anos, o preço da gasolina caiu 16% nas refinarias, mas subiu 27% nas bombas, o que evidencia, de forma objetiva, que reduções de parcelas de custo não necessariamente se convertem em alívio proporcional ao consumidor final", pontuou a organização interestadual.
A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã é o principal causador do aumento no preço dos combustíveis nas bombas.
Há diversos registros de ataques de navios comerciais na passagem do Estreito de Ormuz, localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, onde passa cerca de 20% de todo o petróleo comercializado mundialmente.
Em meio ao aumento dos preços praticados, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, reforçou que cabe às instituições responsáveis a fiscalização dos valores praticados pelos postos de combustíveis. Segundo ela, é comum que, em cenários como esse, de aumento no preço da commodity, os vendedores finais tentem aumentar sua margem de lucro.
No estado, o Procon-PE atingiu, na terça-feira (17), a marca de 107 postos de combustíveis notificados.
As ações têm como objetivo identificar estabelecimentos que aumentaram o valor final do produto, mesmo tendo adquirido por valores inferiores.
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