Porto do Recife aposta na ampliação da profundidade dos canais de navegação, aumentar a movimentação de cargas e atrair novos negócios
por Jamildo Melo
Publicado em 09/10/2026, às 10h02
Porto do Recife projeta crescimento das operações e receitas a partir de 2027, com investimentos públicos e privados em infraestrutura
Dragagem de R$ 93,4 milhões deverá ampliar a profundidade dos canais de navegação para 12 metros
Plano inclui novo terminal de grãos, modernização da segurança portuária e medidas para melhorar a gestão financeira
O Porto do Recife projeta ampliar a movimentação de cargas, aumentar as receitas e atrair novos negócios a partir de 2027. A estratégia envolve investimentos públicos e privados em infraestrutura, modernização operacional e medidas de controle financeiro.
Entre os principais projetos estão a dragagem dos canais de navegação, com investimento federal de R$ 93,4 milhões, e a implantação de um novo terminal de grãos, que deverá receber mais de R$ 50 milhões em recursos privados.
A previsão de crescimento consta do Plano Anual de Negócios 2026, elaborado pela administração portuária.
Segundo a gestão, o planejamento busca melhorar a capacidade operacional do terminal e criar condições para ampliar sua participação no transporte marítimo de cargas.
As projeções, entretanto, dependem da conclusão das obras, da atração de clientes e das condições do mercado.
A principal intervenção prevista para o Porto do Recife é a dragagem dos canais de navegação interno e externo.
O investimento federal está estimado em R$ 93,4 milhões. Segundo a administração, os serviços estão em andamento, com a primeira etapa em fase de conclusão.
A expectativa é ampliar a profundidade dos canais para 12 metros após a dragagem.
Com maior profundidade, o porto poderá melhorar suas condições de acesso para embarcações e ampliar a capacidade de movimentação de cargas.
A administração espera que o ganho de infraestrutura resulte em aumento das operações e, consequentemente, das receitas.
O resultado financeiro, porém, dependerá da demanda pelos serviços portuários e da efetiva utilização da nova capacidade.
Além da dragagem, o Plano Anual de Negócios prevê intervenções para modernizar a estrutura e melhorar as condições de operação do terminal.
Entre os projetos anunciados estão:
R$ 93,4 milhões para dragagem dos canais de acesso;
R$ 15 milhões para renovação do sistema de defensas portuárias;
Contratação de um novo sistema de combate a incêndio;
Implantação de videomonitoramento e controle de acesso;
Adequações de segurança para obtenção da certificação internacional ISPS Code;
Elaboração de projetos de manutenção e revitalização portuária;
Projetos de drenagem e pavimentação das vias internas.
O plano de segurança portuária já foi protocolado nas instâncias competentes, segundo a administração.
A certificação ISPS Code está relacionada ao cumprimento de padrões internacionais de proteção de instalações portuárias e navios.
Na área de expansão comercial, um dos principais projetos é o terminal REC08, arrematado pelo grupo LiquiPort Terminal Portuário.
A previsão é de um investimento privado superior a R$ 50 milhões na implantação de uma estrutura destinada à movimentação de grãos.
O empreendimento deverá atender especialmente à demanda de malte e cevada do polo cervejeiro de Pernambuco.
A administração considera o projeto uma oportunidade de ampliar a carteira de clientes e diversificar as operações do Porto do Recife.
A estratégia também prevê maior aproveitamento dos berços de atracação e a busca por clientes de segmentos específicos.
Essas medidas são apresentadas como alternativas para enfrentar um cenário internacional marcado pelo aumento dos custos do transporte marítimo, conflitos geopolíticos e oscilações nos preços do petróleo.
À frente do Porto do Recife desde abril, o diretor-presidente Wagner Maciel afirma que os investimentos previstos no planejamento deverão criar condições para uma expansão operacional e financeira.
Segundo ele, o Plano Anual de Negócios 2026 reúne investimentos públicos e privados considerados essenciais para a modernização do terminal.
O gestor também destaca a renovação, neste ano, do Convênio de Delegação de Competências entre os governos federal e de Pernambuco.
O acordo mantém o modelo de gestão estadualizada do Porto do Recife e, na avaliação da administração, oferece maior estabilidade para o planejamento de longo prazo.
"Estamos prontos para, já a partir de 2027 e nos próximos anos, crescermos em volume de cargas, movimentação portuária, operações turísticas e atração de novos negócios", declarou Wagner Maciel, em informe ao site Jamildo.com.
A previsão representa uma meta da atual gestão. O material divulgado não apresenta estimativas numéricas de crescimento de cargas, faturamento ou lucro para 2027.
A secretária de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Danielle Jar Souto, avalia que a modernização do Porto do Recife poderá melhorar as condições de competitividade do Estado.
"Com os investimentos em infraestrutura e a melhoria da capacidade operacional, Pernambuco ganha ainda mais competitividade e novas oportunidades de geração de emprego e renda", afirmou.
A declaração expressa a expectativa do Governo do Estado em relação aos efeitos econômicos dos projetos. Não foram informadas estimativas de empregos que poderão ser gerados pelos investimentos anunciados.
Além das obras, a direção do Porto do Recife afirma que pretende fortalecer os mecanismos de governança e controle financeiro.
O diretor Administrativo e Financeiro, Ângelo Andrade, destaca a integração entre o Plano de Negócios, o Orçamento Corporativo e o acompanhamento diário do fluxo de caixa.
Segundo ele, esses instrumentos devem contribuir para aumentar a previsibilidade financeira e melhorar a gestão dos custos.
"Ao fortalecer a governança interna e a saúde financeira da companhia, transformamos o porto em um ativo confiável para atrair capital e parcerias de longo prazo", afirmou.
A administração apresenta o equilíbrio financeiro como um dos pilares da estratégia de expansão. Entretanto, não foram divulgados dados comparativos de receitas, despesas, resultados operacionais ou movimentação de cargas que permitam medir a evolução recente da situação financeira do porto.
A confirmação da recuperação financeira e do crescimento projetado dependerá dos resultados efetivamente registrados nos próximos exercícios.