Fim da escala 6x1 avança no debate e ganha maior aceitação entre pequenos negócios

Pesquisa do Sebrae indica avanço na aceitação do fim da escala 6x1 entre pequenos negócios.

Jamildo Melo

por Jamildo Melo

Publicado em 16/04/2026, às 09h58 - Atualizado às 10h07

protesto
Feriado da proclamação foi marcado por protestos contra escala de trabalho da CLT - Foto: Letycia Bond / Agência Brasil

Pesquisa do Sebrae indica avanço na aceitação do fim da escala 6x1 entre pequenos negócios.

Hoje, 51% dos empreendedores avaliam que a mudança não terá impacto, ante 47% em 2024.

A percepção de impacto negativo caiu de 32% para 27%, enquanto a positiva subiu para 11%.

Setores como economia criativa, logística e alimentação veem mais oportunidades.

O tema segue em debate no Congresso, com o Sebrae defendendo transição com diálogo e apoio às empresas.

O debate sobre o fim da escala de trabalho 6x1 segue avançando no país e começa a encontrar maior aceitação entre donos de micro e pequenas empresas. É o que indica a 12ª edição da Pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios, divulgada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

De acordo com o levantamento, 51% dos microempreendedores individuais (MEI) e empresários de pequeno porte avaliam que a mudança na jornada não terá impacto sobre seus negócios. O percentual representa crescimento em relação a 2024, quando 47% tinham essa percepção.

Na outra ponta, caiu a fatia dos que enxergam efeitos negativos com o possível fim da escala 6x1.

O índice recuou de 32% para 27% no período. Já a parcela que acredita em impactos positivos subiu de 9% para 11%, indicando uma leve melhora no ambiente de percepção sobre a proposta.

O nível de conhecimento sobre o tema também é elevado.

Segundo a pesquisa, 87% dos empreendedores afirmam estar informados sobre as discussões envolvendo a mudança na jornada de trabalho.

Setores veem oportunidades

Entre os segmentos analisados, a Economia Criativa aparece com maior percepção de impacto positivo, com 24% dos entrevistados. Na sequência, estão Logística e Transporte (17%) e Indústria Alimentícia (16%).

Os dados reforçam que o tema não é tratado de forma homogênea entre os setores, com áreas mais flexíveis ou com maior demanda por inovação enxergando possíveis ganhos com a mudança.

Sebrae defende transição com diálogo

O presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, disse, em informe ao site Jamildo.com, que a pesquisa funciona como um indicativo do ambiente econômico dos pequenos negócios e aponta para a necessidade de preparação diante de possíveis mudanças.

Segundo ele, o momento é de apoiar micro e pequenas empresas na adaptação ao novo cenário, com foco em produtividade, competitividade e inovação, incluindo o uso de tecnologias como inteligência artificial na gestão.

O dirigente também ressalta que eventuais mudanças na jornada de trabalho devem ocorrer com diálogo entre os setores envolvidos, buscando segurança jurídica e equilíbrio entre empresas e trabalhadores.

Tema segue em discussão no Congresso

O fim da escala 6x1 é objeto de propostas em tramitação no Congresso Nacional e tem impacto direto sobre os pequenos negócios, que respondem por cerca de 80% do saldo de geração de empregos no país desde 2023.

Levantamentos anteriores do próprio Sebrae já indicavam tendência semelhante.

Em 2024, cerca de um terço dos empresários ainda via a medida como prejudicial, percentual que vem recuando à medida que o debate avança.

Metodologia

A pesquisa foi realizada entre 19 de fevereiro e 18 de março de 2026, por meio de formulário on-line, com 8.273 respondentes em todo o país. Do total, 53% são MEI, 40% microempresas e 7% empresas de pequeno porte.