Governo Lula espera aprovação em três meses de projeto que acaba com escala 6x1

Proposta enviada com urgência pelo governo prevê jornada de 40 horas semanais, dois dias de descanso e manutenção dos salários

Plantão Jamildo.com

por Plantão Jamildo.com

Publicado em 15/04/2026, às 19h16

Lula no Palácio do Planalto - Victor Moriyama for The New York Times
Lula no Palácio do Planalto - Victor Moriyama for The New York Times

Governo envia projeto para extinguir escala 6x1

Proposta reduz jornada semanal de 44 para 40 horas

Texto garante dois dias de descanso sem corte salarial

Planalto prevê aprovação no Congresso em até 90 dias

O governo federal estima que o projeto de lei que propõe o fim da escala de trabalho 6x1 seja aprovado pelo Congresso Nacional em até três meses. A proposta foi enviada com urgência constitucional pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na terça-feira (14), o que estabelece prazos de tramitação de até 45 dias na Câmara dos Deputados e 45 dias no Senado.

Em entrevista no Palácio do Planalto, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, que estará no Recife na próxima semana, afirmou que a expectativa do Executivo é de aprovação dentro desse período. “Nós acreditamos que vai ser aprovada dentro desse prazo de 90 dias. O projeto com regime de urgência garante 45 dias no máximo de tramitação na Câmara e 45 dias no Senado”, disse.

O texto encaminhado ao Congresso prevê a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, a garantia de dois dias de descanso remunerado e a proibição de redução salarial. A proposta altera dispositivos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e de legislações específicas para assegurar a aplicação das novas regras a diferentes categorias.

Segundo o governo, a mudança estabelece como referência o modelo 5x2, substituindo a escala 6x1. O projeto tem abrangência ampla e inclui trabalhadores regidos pela CLT e por regimes específicos, como domésticos, comerciários, aeronautas, radialistas e atletas. O texto também prevê que a nova jornada de 40 horas seja aplicada a escalas diferenciadas, mantendo possibilidades de flexibilização por meio de negociação coletiva, como no regime 12x36, desde que respeitada a média semanal.

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, destacou que a proposta não admite redução de salários. “O que se debate é a redução da jornada de trabalho sem redução de salário”, afirmou. Segundo ele, a medida busca reorganizar as condições de trabalho e garantir manutenção de rendimentos para os trabalhadores.

De acordo com o governo, cerca de 14 milhões de brasileiros atuam atualmente no regime 6x1, com apenas um dia de descanso semanal. No total, aproximadamente 37,2 milhões de trabalhadores têm jornadas superiores a 40 horas semanais. O projeto também alcança contratos em vigor e futuros, vedando cortes nominais ou proporcionais de salários, além de alterações em pisos.

As investigações e debates sobre a proposta também consideram dados de saúde ocupacional. Em 2024, foram registrados cerca de 500 mil afastamentos relacionados a doenças psicossociais ligadas ao trabalho. O governo associa jornadas mais extensas a maiores índices de adoecimento, acidentes e rotatividade.

A proposta foi apresentada após discussões internas e diálogo com centrais sindicais. Segundo Boulos, a medida responde a demandas por redução da carga de trabalho. “O fim da escala 6x1 é um grito de liberdade do trabalhador brasileiro”, afirmou.

O governo também pretende discutir posteriormente uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para consolidar a mudança de forma permanente. Segundo Luiz Marinho, a adoção inicial por projeto de lei foi priorizada por permitir tramitação mais rápida, enquanto a PEC poderá ser analisada em etapa posterior.

O texto enviado ao Congresso prevê dois dias consecutivos de descanso semanal de 24 horas, preferencialmente aos fins de semana, podendo ser ajustados conforme negociação coletiva. A proposta mantém o limite diário de oito horas de trabalho.

Experiências internacionais são citadas como referência no debate. Países como Chile e Colômbia têm implementado reduções graduais da jornada semanal, enquanto na Europa há predominância de cargas horárias iguais ou inferiores a 40 horas.