Após pressão do setor canavieiro, Raquel Lyra pretende entregar 18 mil toneladas de fertilizantes

Setor canavieiro foi um dos grupos que pressionou pela aprovação da LOA 2026 para garantir auxílio. Foco de ação de Raquel é a agricultura familiar

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 03/06/2026, às 08h54 - Atualizado às 09h26

Ed Machado/Secom
Ed Machado/Secom

Nesta semana, o Governo de Pernambuco anunciou que  iniciou o processo de aquisição de 18 mil toneladas de fertilizante mineral para atender produtores de cana-de-açúcar da Zona da Mata.

A por meio do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), utilizando o Sistema de Registro de Preços (SRP), deve beneficiar cerca de 10 mil pequenos produtores, agricultores familiares e assentados da reforma agrária com produção anual limite de até 5 mil toneladas por safra.

O órgão estadual selecionou o fertilizante do tipo NPK 14-00-18 com base em critérios técnicos para repor a fertilidade do solo e manter a produtividade das lavouras.

A liberação do insumo atende a uma demanda apresentada pela Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP) e pelo Sindicato dos Cultivadores de Cana de Pernambuco (Sindicape). As entidades representativas solicitaram o apoio governamental para mitigar a alta nos custos de produção, inflacionados pelo cenário econômico internacional.

Esse auxílio estadual ocorre após uma crise no setor canavieiro pernambucano por fatores climáticos e comerciais.

Os produtores relatam prejuízos por  estiagens prolongadas, além da queda no valor pago pela tonelada da cana-de-açúcar. As barreiras tarifárias impostas pelos Estados Unidos no ano passado também afetaram o açúcar brasileiro, que reduziu as receitas das usinas e dos fornecedores da matéria-prima. A crise ameaça a sustentabilidade de uma cadeia produtiva que soma mais de 70 mil empregos diretos e 200 mil postos de trabalho indiretos em mais de 60 municípios do estado.

Em meio a esse impasse, representantes da AFCP e de sindicatos rurais organizaram protestos em frente à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) e ao Palácio do Campo das Princesas no início de abril. O grupo pressionou o poder público pela adoção de medidas emergenciais e pela resolução dos impasses em torno da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026.

A tramitação da LOA gerou debates no parlamento estadual após embates entre oposição e governistas.

A Mesa Diretora da Alepe argumentou na ocasião que o atraso na definição do orçamento travava a execução de programas estaduais de auxílio e impediria a concessão de benefícios ao setor agrícola. Como a governadora Raquel Lyra (PSD) detém a competência exclusiva para propor remanejamentos orçamentários, a liberação de recursos para o setor dependia diretamente da estabilização da peça orçamentária na Casa, que conseguiu aprovação no fim de abril.