Ações de fiscalização têm o objetivo de identificar postos que realizaram reajustes sem a justificativa adequada no Recife
por Otávio Gaudêncio
Publicado em 12/03/2026, às 10h14 - Atualizado às 11h20
O Procon Recife autuou 12 postos de combustíveis nas zonas Norte e Sul da cidade por aumento considerado injustificado no preço da gasolina.
Em alguns estabelecimentos do Recife, o litro do combustível chegou a cerca de R$ 7,50.
A fiscalização ocorre após alta repentina nos preços, mesmo sem anúncio de reajuste pela Petrobras.
No cenário nacional, a Secretaria Nacional do Consumidor pediu ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica investigação sobre possíveis práticas que prejudiquem a concorrência.
Representantes do setor atribuem a alta às tensões no conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, que afetam a circulação de petróleo no Estreito de Ormuz.
O Procon Recife autuou, na quarta-feira (11), 12 postos de combustíveis nas zonas Norte e Sul da cidade, devido ao aumento injustificado nos preços das mercadorias energéticas. Diversos postos de gasolina do Recife apresentam o combustível a R$ 7,50.
As ações de fiscalização vêm após o aumento repentino do preço dos combustíveis em Pernambuco e no restante do país, no começo desta semana (8). A escalada nos preços fez com que políticos denunciassem o aumento aos Procon e ao Ministério Público de Pernambuco, sob a argumentação de que a Petrobras não anunciou aumentos no preço.
De acordo com o Procon, as ações têm o objetivo de identificar bombas de combustível que passaram por reajustes sem a justificativa adequada, especialmente as que tiveram material energético adquirido por valores anteriores.
Encontradas irregularidades, os estabelecimentos serão enquadrados com base no Código da Defesa do Consumidor. Segundo o órgão público, as ações continuam nesta quinta-feira (12).
No âmbito nacional, a Secretaria Nacional do Consumidor, vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, encaminhou solicitação ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para que seja analisada a possível existência de práticas que possam prejudicar a livre concorrência no mercado de combustíveis.
De acordo com o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Pernambuco (Sindicombustíveis-PE), Alfredo Pinheiro Ramos, Pernambuco é amplamente abastecido por produtos importados e refinarias privadas, cujos preços seguem a dinâmica internacional e estão sendo afetados pelas tensões do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.
É na região entre o país persa e os Emirados Árabes Unidos que fica uma das principais rotas mundiais para a passagem de navios que carregam petróleo, o Estreito de Ormuz. A rota comercial vivencia momentos de tensão na passagem de navios comerciais pelo local.
A agência marítima britânica UKMTO já registrou ataques a 14 navios no local desde o início do conflito, sendo quatro embarcações atacadas somente na quarta-feira (11).
Além disso, o presidente do sindicato também afirma que o aumento no preço do etanol está diretamente ligado ao da gasolina por conta dos combustíveis competirem entre si.
"Esse movimento também influencia o etanol, que mantém relação direta de competitividade com a gasolina. Quando há pressão na gasolina, o etanol tende a acompanhar, especialmente em período de transição de safra no Nordeste, quando a oferta regional diminui", explica.
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