Pernambuco aparece como 3º estado mais violento do país, apesar de redução nos homicídios

Plantão Jamildo.com | Publicado em 26/05/2026, às 14h40

Governo destacou menor número de crimes patrimoniais dos últimos dez anos, com destaque para os roubos de coletivos, cargas, veículos e celulares - Miva Filho/Secon
COMPARTILHE:

Ler resumo da notícia

Pernambuco ocupa a terceira posição entre os estados com maiores taxas de homicídio do Brasil, segundo o Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O levantamento reúne dados de violência registrados entre 2014 e 2024.

De acordo com o estudo, o estado registrou taxa de 37,3 homicídios por 100 mil habitantes em 2024, índice superior à média nacional, que ficou em 20,1. Pernambuco aparece atrás apenas do Amapá, com taxa de 45,7, e da Bahia, com 40,9. Na sequência estão Alagoas (35,9) e Ceará (34,3).

Ao todo, Pernambuco contabilizou 3.534 homicídios em 2024. Em comparação com 2023, quando foram registrados 3.697 casos, houve redução de 4,4%. O resultado também representa o menor número absoluto desde 2021, quando o estado registrou 3.409 homicídios.

Apesar da queda recente, o Atlas aponta estabilidade considerada preocupante ao longo da última década. Na análise histórica, a taxa de homicídios em Pernambuco cresceu 1,1% em relação a 2014. Já na comparação entre 2023 e 2024, houve retração de 4,6% no indicador proporcional.

Os dados mostram ainda que 2017 foi o ano mais violento da série histórica em Pernambuco, com 5.419 homicídios e taxa de 58,6 mortes por 100 mil habitantes. O menor número absoluto foi registrado em 2014, com 3.358 homicídios. Já a menor taxa proporcional ocorreu em 2022, quando o estado atingiu 36,1 homicídios por 100 mil habitantes.

Entre os municípios pernambucanos com mais de 100 mil habitantes, o Cabo de Santo Agostinho apresentou a maior taxa estimada de homicídios em 2024, com 59,9 mortes por 100 mil habitantes.

Na sequência aparecem São Lourenço da Mata (56,9), Camaragibe (51,4), Recife (45,5), Petrolina (43,5), Olinda (40,5), Abreu e Lima (38,5), Vitória de Santo Antão (37,6), Jaboatão dos Guararapes (37,5) e Igarassu (34,3).

Impacto do narcotráfico nos índices de violência

Segundo o Atlas da Violência, a redução registrada no país nos últimos anos está relacionada, entre outros fatores, à diminuição dos conflitos entre facções criminosas em rotas estratégicas do narcotráfico.

O técnico de planejamento e pesquisa do Ipea e coordenador do levantamento, Daniel Cerqueira, afirmou que os confrontos entre grupos criminosos atingiram o ápice entre 2016 e 2017, especialmente envolvendo PCC, Comando Vermelho e facções regionais no Norte e Nordeste.

Essa guerra foi mais intensa em 2016 e 2017. Em 2018, os homicídios começam a cair e começa também um processo de acomodação. Uma guerra que se prolonga por muito tempo, sem um resultado claro, passa a ter custos econômicos inviáveis”, declarou.

O pesquisador também relacionou a redução nacional à combinação de mudanças demográficas, alterações na gestão da segurança pública e reorganização das disputas territoriais do tráfico.

Em todo o Brasil, foram registrados oficialmente 42.590 homicídios em 2024, com queda de 7,4% em relação ao ano anterior e o menor índice nacional dos últimos 11 anos.

O Atlas alerta, no entanto, que os números podem ser maiores. Ao incluir os chamados homicídios ocultos — mortes violentas classificadas inicialmente como causa indeterminada — os pesquisadores estimam que o país possa ter registrado 49.673 homicídios em 2024, elevando a taxa nacional para 23,4 mortes por 100 mil habitantes.

Nesse cenário ampliado, a redução nacional em relação a 2023 cairia para apenas 0,4%.

Pernambuco Atlas da Violência

Leia também

Brasil atinge maior IDH da história e entra em grupo de desenvolvimento muito alto


Raquel Lyra anuncia menor índice de mortes violentas no 1º trimestre e indica 2400 novos PMs nas ruas ainda esse mês


Guarda Municipal do Recife começa a operar com arma de fogo: "agora também vai cuidar das pessoas", afirma João Campos