Cynara Maíra | Publicado em 25/03/2026, às 10h23 - Atualizado às 10h53
A Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS) abriu uma investigação preliminar para apurar o uso de fotos das deputadas federais Duda Salabert (PDT-MG) e Erika Hilton (PSOL-SP) em um catálogo de suspeitos da Polícia Civil do estado. O anúncio do SDS ocorreu nesta quarta-feira (25), em nota ao Jamildo.com.
A inclusão das imagens ocorreu durante a investigação de um roubo de celular no bairro da Boa Vista, área central do Recife, em 2025.
O caso chegou ao conhecimento das parlamentares após um alerta do Núcleo Criminal da Capital da Defensoria Pública do Estado (DPPE).
O órgão enviou um ofício ao gabinete de Duda Salabert na última semana detalhando que uma vítima de assalto em 2025 teria visto um álbum de reconhecimento de suspeitos contendo seis fotografias, entre elas Duda e Erika, que não residem no estado.
O crime original aconteceu em 24 de fevereiro do mesmo ano, nas imediações da Faculdade Fafire.
No documento enviado à Câmara dos Deputados, a Defensoria Pública questionou o critério adotado pela Polícia Civil. A instituição argumenta que a seleção das imagens ocorreu por pertencimento a um grupo identitário de gênero e raça, ignorando a semelhança física com a descrição da suspeita real ditada pelo Código de Processo Penal.
"A única razão que pode explicar a inserção dessas fotografias no procedimento é o fato de que ambas as parlamentares são mulheres negras e trans", destacou o ofício assinado pela defensora pública Gina Ribeiro Gonçalves Muniz.
A DPPE também ressaltou perante a 16ª Vara Criminal da Capital que o reconhecimento fotográfico realizado nessas condições tem flagrante fragilidade probatória.
As parlamentares reagiram de forma nas redes sociais e acionaram a Justiça. Duda Salabert enviou um ofício à SDS cobrando a retirada imediata das imagens de qualquer material de identificação policial e classificou a prática como perfilamento.
"Colocaram minha foto e a da Erika Hilton lado a lado em um álbum de reconhecimento criminal. Não por semelhança com a suspeita, mas por sermos travestis. Isso não é investigação. É perfilamento, é racismo e transfobia institucional", publicou Duda. A deputada Erika Hilton seguiu a mesma linha de argumentação e informou que acionou os órgãos competentes para a apuração do episódio.
Diante da repercussão nacional, a SDS enviou uma nota oficial ao Jamildo.com confirmando o início da apuração pela Corregedoria Geral.
A pasta governamental assegurou que coletará os subsídios necessários para a instauração de um processo administrativo contra os servidores envolvidos. A Secretaria também declarou que a Polícia Civil atua de forma rigorosa, repudiou práticas de discriminação e reafirmou o compromisso da corporação com o atendimento igualitário à população.
Após a repercussão do caso, Raquel Lyra repudiou o uso da imagem das deputadas e afirmou que determinou uma "apuração rigorosa", além de dizer que "preconceito e violência simbòlica não são tolerados em PE".
Inadmissível o uso da imagem das deputadas federais Duda Salabert e Érika Hilton pela Polícia Civil de PE. Determinei apuração rigorosa com abertura de processo na Corregedoria da Secretaria de Defesa Social. Preconceito e violência simbólica não são tolerados em PE.
— Raquel Lyra (@raquellyra) March 25, 2026
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