Cynara Maíra | Publicado em 21/08/2026, às 10h29 - Atualizado às 11h25
A uma semana do início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão, o plenário do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) vai decidir se a Federação PSDB-Cidadania permanece na coligação "Pernambuco de Coração", encabeçada pela governadora Raquel Lyra (PSD).
O relator do processo na Corte, desembargador Paulo Machado Cordeiro, negou o pedido de liminar que exigia a exclusão imediata do grupo e remeteu a análise definitiva para o colegiado do tribunal.
Com a decisão, a federação continua integrada provisoriamente à chapa governista na divisão de rádio e TV. A Secretaria Judiciária do TRE-PE notificou formalmente nesta sexta-feira (21) o gabinete responsável pelos cálculos da propaganda gratuita, informando a manutenção temporária da legenda no bloco governista até a análise de mérito do Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários (DRAP). A distribuição de TV, inclusive, será feita nesta sexta-feira (21).
Ao rejeitar a saída sumária da federação por decisão monocrática, o relator apontou a necessidade de uma análise aprofundada pelo tribunal.
"A solução mais acertada e juridicamente segura reside em enfrentar a controvérsia em seu conjunto, quando do julgamento definitivo de mérito do DRAP e da respectiva impugnação, ocasião em que os autos estarão completamente instruídos, inclusive à luz do parecer ministerial", justificou Paulo Machado Cordeiro.
A disputa jurídica começou após a federação realizar duas convenções com decisões opostas. Em 31 de julho, o diretório estadual da federação aprovou por unanimidade o apoio à reeleição de Raquel Lyra, registrando a ata como irrevogável na Justiça Eleitoral.
No entanto, o Colegiado Nacional dissolveu o comando local e nomeou uma comissão interventora de membros fora do estado, que organizou uma reunião extraordinária no dia 5 de agosto. Esse grupo votou pela neutralidade na eleição majoritária.
Em 18 de agosto, a comissão interventora pediu em petição para Justiça Eleitoral a retirada da chapa de Raquel, tese que recebeu reforço da coligação adversária Frente Popular, liderada por João Campos (PSB).
Segundo o grupo encabeçado pelos socialistas, a convenção pró-governo tem "vício insanável de origem", argumentando que a direção estadual já estava destituída no momento em que oficializou a aliança com o PSD.
A defesa de Raquel Lyra rebateu os pedidos na quinta-feira (20). Os advogados sustentam que a comissão estadual estava regular e ativa no sistema da Justiça Eleitoral em 31 de julho.
A coligação governista alega que a direção nacional promoveu uma intervenção sumária sem direito à ampla defesa, citando como jurisprudência um caso julgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas eleições de 2024 em Água Preta (PE), quando a Corte restabeleceu um diretório dissolvido sem processo administrativo prévio.
A peça jurídica de Raquel também aponta contradição da junta interventora ao validar as listas de candidatos a deputado estadual e federal da convenção do dia 31, contestando apenas o apoio majoritário.
O principal impasse nessa disputa seria o tempo de TV da governadora, que
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