Jamildo Melo | Publicado em 18/09/2026, às 08h44 - Atualizado às 08h58
A aproximação das eleições elevou a temperatura da disputa pelo Governo de Pernambuco. Em menos de 24 horas, as campanhas de João Campos (PSB) e Raquel Lyra (PSD) recorreram ao Ministério Público Eleitoral (MPE) e à Polícia Federal (PF) com acusações envolvendo integrantes ou pessoas apontadas como ligadas ao grupo adversário.
Os novos episódios colocam investigações, prestação de contas, furto de material de campanha e suspeitas sobre militância no centro do confronto entre as duas principais candidaturas ao Palácio do Campo das Princesas.
De um lado, a Frente Popular de Pernambuco, coligação de João Campos, apresentou uma notícia de fato ao Ministério Público Eleitoral pedindo investigação sobre um contrato de R$ 2,5 milhões firmado pela campanha de Raquel Lyra com a empresa Rede de Negócios e Produção de Eventos.
Segundo a representação, o policial civil Uberdan de Menezes Matos Junior aparecia como sócio-administrador da empresa quando ocorreu a contratação para serviços de contratação e gestão de militância.
O contrato está registrado com data de 28 de agosto. De acordo com documentos citados pela coligação, cinco dias depois, em 2 de setembro, Sandra Nazaré Chagas do Amaral, mãe do policial, passou a figurar como sócia-administradora.
A Frente Popular quer que o MPE investigue a contratação, a prestação dos serviços, a movimentação dos recursos e as alterações societárias da empresa. As suspeitas levantadas pela coligação ainda dependem de apuração e não representam irregularidades comprovadas.
A representação também questiona os registros da prestação de contas eleitoral. Segundo a Frente Popular, em consulta realizada em 8 de setembro, a campanha de Raquel apresentava R$ 11,8 milhões em receitas e nenhuma despesa. Em consulta posterior, passaram a constar R$ 7,63 milhões em gastos, incluindo os R$ 2,5 milhões destinados à empresa.
O policial citado na representação também esteve envolvido na confusão registrada durante o ato do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), na quarta-feira (16), no Recife. Imagens registraram Uberdan armado durante o episódio, no qual houve disparo de arma de fogo e uma pessoa ficou ferida.
Do outro lado da disputa, a Coligação Pernambuco de Coração, de Raquel Lyra, procurou a Polícia Federal para apresentar informações sobre Alexsandro Pereira, preso no episódio envolvendo o suposto furto de bandeiras da campanha da governadora.
A campanha de Raquel sustenta que Alexsandro é cabo eleitoral de João Campos e teria participado de uma ação para utilizar material da governadora durante o ato de Flávio Bolsonaro, buscando criar uma associação política entre Raquel e o candidato presidencial.
A acusação é contestada pela Frente Popular e ainda precisa ser apurada pelas autoridades.
Segundo a coligação de Raquel, Alexsandro é marido da conselheira tutelar do Recife Joselma Almeida, apontada pelo grupo como liderança eleitoral ligada ao vereador licenciado e atual secretário de Esportes do Recife, Eduardo Mota (PSB).
A campanha da governadora também afirma que Alexsandro mantém relações com comissionados e terceirizados da Secretaria de Esportes e aparece em fotografias com o responsável pelo perfil “Raquel Bolada”.
O perfil entrou no centro da campanha depois de uma publicação convocando seguidores a jogar ovos contra Raquel durante uma agenda eleitoral no Recife. O TRE-PE determinou a suspensão temporária da conta após considerar que a postagem ultrapassou os limites da crítica política ao estimular hostilidade física contra a candidata.
A Frente Popular nega participação em qualquer ação irregular e afirma que não teve envolvimento na organização do episódio das bandeiras. A coligação de João também classificou as acusações adversárias como tentativa de construir uma narrativa contra a campanha.
Os dois movimentos mostram uma mudança no ambiente da campanha pernambucana na reta final. Além da disputa por votos, João Campos e Raquel Lyra passam a enfrentar uma sucessão de denúncias, representações e pedidos de investigação envolvendo suas campanhas ou pessoas apontadas como ligadas aos respectivos grupos políticos.
No caso apresentado pela Frente Popular, caberá ao Ministério Público Eleitoral analisar se há elementos para avançar na investigação sobre o contrato de R$ 2,5 milhões e a situação da empresa contratada pela campanha de Raquel.
No episódio levado pela Coligação Pernambuco de Coração à Polícia Federal, a apuração deverá esclarecer a origem das bandeiras, as circunstâncias da prisão e se os vínculos políticos apontados pela campanha da governadora tiveram relação efetiva com a ocorrência.
Como o site Jamildo.com preza pelo equilíbrio e justiça, até que essas apurações avancem, as acusações apresentadas pelas duas coligações permanecem como versões das campanhas, sem conclusão das autoridades sobre eventual responsabilidade dos envolvidos.