Raquel Lyra se pronuncia sobre monitoramento de secretário e João Campos compara ato com a ditadura militar

Cynara Maíra | Publicado em 28/01/2026, às 09h56 - Atualizado às 11h01

João Campos e Raquel Lyra se pronunciam publicamente sobre caso de monitoramento de secretário pela Polícia Militar - DIVULGAÇÃO
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A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), e o prefeito do Recife, João Campos (PSB), manifestaram-se na terça-feira (27) sobre a polêmica envolvendo o monitoramento de um secretário municipal pela Polícia Civil.

O caso acirrou o embate político entre os dois gestores. A governadora defendeu a legalidade da ação policial, já o prefeito classificou o episódio como um ato de autoritarismo comparável à ditadura militar.

Raquel Lyra utilizou as redes sociais para justificar o procedimento investigativo. Segundo a gestora, a corporação atuou para apurar uma denúncia grave de corrupção.

"A polícia recebeu uma denúncia grave de corrupção. Fez o seu papel de investigação. Dentro da legalidade, como sempre, nós somos um Estado, um governo que respeita as leis e sempre busca trabalhar para garantir transparência, autonomia. Agora, ninguém está acima da lei também. A gente precisa, é claro, sempre combater a corrupção. E foi isso que foi o trabalho que a Polícia Civil fez", declarou a governadora.

A SDS sustenta que a operação "Nova Missão" verificou uma denúncia anônima sobre suposto pagamento de propina envolvendo um veículo da Prefeitura do Recife.

O monitoramento ocorreu entre agosto e outubro de 2025 e foi arquivado após não constatar irregularidades. O governo atribui o vazamento das informações a um policial civil investigado por ligação com crime organizado.

Segundo o secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, seria permitido inserir um rastreador em um veículo e a ação seria uma atuação preliminar para verificar se haveria base para instaurar um inquérito de investigação.

João Campos cita "tempos de chumbo"

Em entrevista à CNN Brasil, João Campos subiu o tom das críticas e classificou a investigação como clandestina e criminosa. O prefeito questionou a falta de procedimentos formais, como a instauração de inquérito ou registro de boletim de ocorrência, antes do início do monitoramento.

"Isso precisa ser denunciado, porque não cabe mais tempo de chumbo no Brasil e na democracia. Então, de forma muito direta, foi feito um ato criminoso", afirmou Campos.

O gestor comparou o caso com a estrutura montada para o monitoramento aos órgãos de repressão da ditadura militar, como o DOI-CODI, e citou o escândalo da "Abin Paralela" no governo Bolsonaro.

"Isso é muito grave. A gente viu casos, eu particularmente não tenho idade, mas é importante conhecer a história, como é que se dava na ditadura, como era o DOI-CODI. Isso é perfil autoritário e é inaceitável isso no regime democrático", completou.

Provocação e Respostas

Campos informou que a prefeitura solicitou formalmente à Secretaria de Defesa Social (SDS) o acesso aos registros que teriam autorizado a operação. Ele criticou a coletiva de imprensa realizada na segunda-feira (26) pelo secretário Alessandro Carvalho, alegando que a gestão estadual não apresentou provas da formalidade do ato.

"Não apresentaram absolutamente nada, não comprovaram nada. Você não pode colocar um rastreador, comprado na internet, num carro oficial de uma prefeitura sem uma ordem judicial", disse o prefeito.

Repercussão na Alepe

O embate ecoou na Assembleia Legislativa de Pernambuco. A base governista, liderada pela deputada Socorro Pimentel (União Brasil), defendeu a atuação técnica da polícia e acusou a oposição de criar um "circo midiático". A deputada Débora Almeida (PSDB) também falou sobre a confiança nas forças de segurança.

Já o presidente da Alepe, Álvaro Porto (PSDB), manteve as críticas à gestão estadual e cobrou a identificação de quem emitiu a ordem para o monitoramento.

"A responsabilidade por ordens erradas recai sobre quem as emitiu. É essencial esclarecer quem autorizou a espionagem política e o uso de recursos públicos para perseguições", afirmou Porto.

João Campos Raquel Lyra

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