Cynara Maíra | Publicado em 14/10/2026, às 12h39 - Atualizado às 13h15
No mesmo dia em que o Tribunal de Contas da União (TCU) avaliará um pedido de reexame da auditoria que suspendeu as obras no ramal pernambucano da ferrovia Transnordestina, a governadora Raquel Lyra (PSD) usou uma entrevista nesta quarta-feira (14) para defender a viabilidade das obras.
Em declaração para Rádio Folha, a gestora estadual criticou as exigências técnicas que cobram provas de retorno financeiro para a liberação de recursos federais no trecho entre Salgueiro e o Porto de Suape.
"Estão exigindo a comprovação de viabilidade econômica do ramal de Pernambuco. Já está mais do que comprovado que é viável. Além disso, política pública não depende apenas de viabilidade econômica estrita, e a viabilidade se demonstrará na prática, porque a carga já existe e a logística de Pernambuco para o Brasil e o mundo está pronta para isso", declarou a governadora.
O julgamento no plenário do TCU envolve o processo 017.603/2024-2, do relator ministro Benjamin Zymler. A análise estava suspensa desde 30 de setembro após pedido de vista do ministro revisor Jhonatan de Jesus, retornando à pauta na sessão desta quarta.
O recurso em análise partiu da Advocacia-Geral da União (AGU), que tenta reverter os apontamentos da área técnica da corte de contas contra o Ministério dos Transportes e a estatal Infra S.A.
O tribunal apura a regularidade do uso de verbas do Orçamento Geral da União para tocar o ramal de Suape após a concessionária privada Transnordestina Logística S.A. (TLSA) ter devolvido o traçado pernambucano no governo anterior para priorizar os trilhos em direção ao Porto do Pecém, no Ceará.
Raquel afirmou que conversou sobre o tema na terça-feira (13) com o procurador Marconi, ligado à representação jurídica do Ministério dos Transportes, e cobrou alinhamento com a bancada federal para garantir a execução do traçado ferroviário da Transnordestina em Pernambuco.
Na mesma conversa, Raquel comentou a articulação política para a nova legislatura da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). A governadora afirmou que conta com uma base de apoio entre 30 e 35 deputados estaduais e disse que buscará manter estabilidade nas votações do Palácio do Campo das Princesas, citando a composição partidária formada por PSD, PP, Podemos, União Brasil e Avante.
Terça-feira (13), a governadora já tinha afirmado que pretendia articular com governistas para composição de uma mesa diretora mais alinhada à gestão.
Raquel também detalhou ações de infraestrutura hídrica na capital, como a conclusão de intervenções de R$ 13 milhões no Alto José Bonifácio e a preparação de obras de R$ 45 milhões no Alto do Deodato para substituir tubulações antigas de ferro e amianto, dentro da meta de levar rede de água encanada aos morros da Zona Norte do Recife.