Cynara Maíra | Publicado em 31/01/2026, às 07h35 - Atualizado às 07h57
A governadora Raquel Lyra (PSD) nomeou a gestora pública Angella Mochel para a presidência da Empresa Pernambucana de Transporte Coletivo Intermunicipal (EPTI).
O ato consta no Diário Oficial do Estado deste sábado (31). A mudança no comando da estatal ocorre menos de 24 horas após o pedido de exoneração do advogado Yuri Coriolano, que deixou a função após a divulgação de mensagens de cunho racista e misógino de sua autoria.
A escolha de uma mulher para o posto carrega um simbolismo político diante do teor das denúncias que derrubaram o antecessor. Raquel Lyra comentou o caso na sexta-feira (30), após cumprir agenda no Porto de Suape. A gestora condenou o conteúdo das mensagens e tentou estancar a crise política.
"Nosso governo não tolera misoginia, preconceito, qualquer tipo de racismo, e ele entregou o cargo. Esse assunto está encerrado, vamos seguir adiante", afirmou a governadora.
Os atos nº 518 e 519 do Diário Oficial formalizam a saída de Coriolano e a entrada de Mochel com efeito retroativo a 30 de janeiro. Yuri assumiu a EPTI recentemente, após a saída do antigo dirigente em meio a outra polêmica envolvendo a empresa de ônibus ligada à família da governadora.
Angella Mochel tem 16 anos de experiência no serviço público estadual. Antes de assumir a EPTI, atuava como coordenadora de Planejamento Corporativo na Copergás.
A gestora também presidiu a Agência de Empreendedorismo de Pernambuco (AGE-PE) a partir de abril de 2023. Angela foi a primeira mulher a comandar o órgão em 12 anos.
Durante sua passagem pela AGE-PE, Mochel focou o trabalho no microcrédito produtivo e na qualificação profissional, com 80% da carteira de clientes formada por empreendedores informais e mulheres.
O currículo da nova presidente inclui passagens pela Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe) e secretarias executivas nas pastas de Recursos Hídricos e Trabalho.
Yuri Coriolano pediu exoneração na sexta-feira (30) após o portal Vero Notícias revelar e-mails escritos por ele em 2012. Nas mensagens, enviadas a um grupo de faculdade, o então estudante utilizou termos ofensivos contra a população negra e atacou direitos reprodutivos das mulheres.
Em um dos trechos divulgados, Coriolano escreveu sobre o debate do aborto: "Que p*rra de direito de mulher decidir. Direito de decidir ela tem de copular com ou sem camisinha. Não de matar um outro indivíduo".
O advogado, que atuou como secretário executivo de Articulação Política da Casa Civil no início da gestão Raquel Lyra, reconheceu a autoria das mensagens. Em nota e publicações temporárias nas redes sociais, ele pediu desculpas e alegou que os textos de quando tinha 19 anos não refletem suas posições atuais.
"Errei e venho me retratar publicamente", escreveu Coriolano. Ele classificou a exposição do caso como uma tentativa de "assassinato de reputação" por parte de adversários políticos.
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