PT inicia escutas em Pernambuco em meio a divergências sobre disputa João Campos e Raquel Lyra

Cynara Maíra | Publicado em 12/01/2026, às 06h48 - Atualizado às 07h44

Sem debate direto sobre o tema, PT de Pernambuco vive o embate entre os que defendem um posicionamento direto e Lula com um palanque duplo em Pernambuco - Ricardo Stuckert
COMPARTILHE:

Ler resumo da notícia

A partir desta semana, o diretório estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) deve iniciar as escutas regionais com lideranças da sigla ao redor de Pernambuco para definir as escolhas do partido para as eleições de 2026. 

Apesar da divisão interna sobre o palanque estadual no pleito deste ano, a direção do PT deve focar no consenso. O objetivo será garantir a reeleição do presidente Lula e do senador Humberto Costa. A meta também inclui ampliar as bancadas na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa.

O presidente estadual da sigla, deputado federal Carlos Veras, resumiu o tom oficial das plenárias.

"Faremos essas plenárias regionais com o objetivo de formular as propostas do partido para o pleito estadual. É o momento de organizar a participação da militância petista para cumprir os objetivos estratégicos, que são as reeleições do presidente Lula e do senador Humberto Costa", afirmou Veras para o Jamildo.com.

Mesmo com as divisões uma liderança ouvida reforçou que as escutas não têm o objetivo de antecipar essa escolha. "A intenção não é fazer uma rodada de conversa para definir qual seria o posicionamento. A principal direção nossa vai ser dada pela direção nacional do partido", explicou.

A ideia seria ouvir os filiados ao PT para entender o posicionamento sobre eventuais candidatos à Câmara Federal e para Assembleia Legislativa. 

O dilema do palanque duplo

Nos bastidores, a unidade discursiva esconde divergências. 

Uma ala defende o endosso direto e exclusivo à candidatura do prefeito do Recife, João Campos (PSB), ao Governo, mantendo a aliança da Frente Popular.  

Outro grupo enxerga vantagem em Lula ter dois palanques no estado. Essa tese tem como um dos seus principais rostos o deputado estadual João Paulo. Para eles, o presidente deveria subir no palanque do socialista e também no da governadora Raquel Lyra (PSD).

João Paulo defendeu abertamente essa estratégia durante ato no Recife na última quinta-feira (8).

"Lula, inclusive para tirar a diferença dele no Sul e no Sudeste, precisa ter força aqui. Se houver em Pernambuco, especialmente se o prefeito for candidato a governador, é importante termos dois palanques apoiando o presidente Lula", argumentou o ex-prefeito em fala para o portal Leia Já. 

João Paulo já falou sobre o tema também para o PodJá- O Podcast do Jamildo, confira:  

Fator Nacional: Alckmin e Kassab

A definição sobre o palanque pernambucano deve vir de Brasília, pelo próprio presidente Lula, que já apresentou gestos tanto para João Campos quanto a governadora Raquel Lyra. Mesmo assim, o cenário terá vínculo com as articulações sobre o próximo candidato para vice de Luiz Inácio. 

Especulações indicam que o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) pode deixar a chapa para disputar o Governo de São Paulo.

Caso ocorra, Lula poderia buscar um nome mais ao centro para compor a majoritária. O favorito seria Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, mesmo partido de Raquel Lyra.

Com Kassab na vice de Lula, a tese do palanque duplo em Pernambuco ganharia força. Isso permitiria que o presidente subisse tanto no palanque de João Campos quanto no de Raquel Lyra sem constrangimentos partidários e tendo dois cabos eleitorais fortes no estado. 

Aliados do PSB rejeitam tese de palanque duplo

Apesar das articulações, aliados do PSB rejeita a ideia de dividir o apoio presidencial. Do lado petista, lideranças ouvidas pelo Jamildo.com evitam cravar posições definitivas antes da orientação nacional.

"A certeza é que o PT continuará na Frente Popular de Pernambuco", garantiu uma fonte do partido. A mesma fonte admitiu que o apoio à governadora Raquel Lyra por parte de dissidentes pode ser tratado como infidelidade partidária caso a sigla feche questão com o PSB.

O grupo que já tem o PT como aliado rejeita a possibilidade de que Lula pulverize o endosso entre os dois principais nomes da eleição estadual de 2026. Ao longo de 2025, João Campos já fez diversos gestos para legenda do presidente de forma a "marcar território". Em uma das últimas visitas de Lula em Pernambuco, João Campos afirmou que era um "soldado" do petista e que iria onde ele estivesse. 

Um dos políticos do PT ouvidos pelo site indicou que, mesmo sem ser o propósito das escutas, as lideranças devem se posicionar sobre a disputa estadual.

" O prefeito [João Campos] tem se posicionado desde o início em favor da reeleição do presidente Lula, ao contrário de Raquel, que eu nunca ouvi falar uma fala objetiva nesse sentido, João Campos tem se colocado como soldado de Lula. [...] Acho que a escuta sempre é importante. Eu acho que os filiados podem e devem falar. Nosso dirigente municipal deve expressar sua opinião", afirmou. 

João Campos Lula Raquel Lyra PT

Leia também

Presidente nacional do PSB, João Campos participará em ato de filiações em Goiás


No "ano da saúde", Raquel Lyra abre pregão de R$ 11,6 milhões para elevadores em hospitais


Comissão da Alepe analisa propostas de Raquel Lyra em sessão extraordinária nesta terça (13)