Plantão Jamildo.com | Publicado em 05/09/2026, às 06h40
O candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) criticou, nesta sexta-feira (4), no Recife, o crescimento de Augusto Cury (Avante) nas pesquisas de intenção de voto e afirmou que o adversário terá dificuldades para sustentar o desempenho quando precisar assumir posições sobre temas considerados controversos na eleição.
Durante coletiva de imprensa em Pernambuco, Renan atribuiu parte da ascensão de Cury à estratégia de evitar posicionamentos que possam aumentar sua rejeição. Segundo o candidato, o escritor teria atraído eleitores que não se identificam com a polarização política entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
“Basicamente ao não fazer nada e não ganhar rejeição, porque ele não quer se posicionar sobre nada, ele pegou o eleitor despolitizado. Naturalmente agora, no momento em que as pessoas vão precisar se politizar, ele vai precisar se posicionar. E, ao se posicionar, ele vai começar a merecer a rejeição”, afirmou.
O crescimento de Augusto Cury aparece nos levantamentos divulgados nesta semana. Na pesquisa Datafolha publicada na quinta-feira (3), o candidato do Avante registrou 8% das intenções de voto, seis pontos percentuais acima da rodada anterior. Renan Santos apareceu com 3%.
Na pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira (2), Cury marcou 10%, enquanto Renan teve 3%. O movimento também foi registrado pela Futura/Apex, que apontou 9,9% para Cury e 2,8% para o candidato do Missão.
Renan questionou ainda a existência de uma base política consolidada em torno do adversário. Ele afirmou não identificar lideranças públicas que estejam declarando apoio à candidatura de Cury e avaliou que o crescimento estaria relacionado principalmente à busca de uma parcela do eleitorado por uma alternativa à disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.
O candidato voltou a criticar a polarização entre os dois grupos políticos e afirmou que ambos estariam envolvidos, segundo sua avaliação, em problemas que impediriam mudanças no país.
Ao comentar a estratégia de Cury, Renan citou o slogan utilizado pelo adversário: “Nem picanha nem fuzil, eu quero Rivotril”. Posteriormente, a campanha de Cury passou a utilizar a formulação “Nem picanha, nem fuzil: quero o Brasil sem Rivotril”.
Renan classificou a mensagem como uma forma de alienação política e disse que pretende disputar esse eleitorado por meio de um discurso de mobilização. Apesar de reconhecer o avanço de Cury nas pesquisas, afirmou que o adversário terá de se posicionar conforme temas mais controversos ganhem espaço na campanha. “Ele vai ter que se posicionar agora”, resumiu.
Na mesma coletiva, Renan Santos também direcionou críticas ao candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB). O presidenciável afirmou que fará oposição ao grupo político do socialista durante a disputa estadual.
A declaração ocorreu após Renan mencionar vídeos publicados pela deputada federal Tabata Amaral (PSB), esposa de João Campos, nos quais, segundo ele, ela teria feito críticas à sua candidatura.
“Tenho uma ojeriza a figura do João Campos, à dinastia dele, a linhagem dele, do pai dele, das famílias de donos de canaviais e donos de escravos que eles tinham no século XIX, que essa é a origem da família dele. Vou fazer oposição a eles em todos os sentidos. O João Campos que é um frouxo, ele é um homem muito fraco, ele botou a esposa dele, que é a esposa home office que nunca estão juntos, que é a Tabata Amaral para ficar me atacando, gravando vídeos. Não vou responder ela e eu vim aqui responder ele. Ele eu respondo”, afirmou.
Renan relacionou ainda a disputa pelo Governo de Pernambuco ao cenário nacional. Segundo ele, uma eventual derrota de João Campos demonstraria, em sua avaliação, que a esquerda não teria maioria política no Estado.
O presidenciável também retomou críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao ministro Alexandre de Moraes. Ao abordar os episódios relacionados ao Banco Master, Renan afirmou que o país atravessa uma crise institucional e voltou a defender a elaboração de uma nova Constituição. “Não há mais um país, não há mais institucionalidade”, declarou.
Na avaliação do candidato, os acontecimentos envolvendo o STF indicariam um enfraquecimento da separação entre os Poderes. Renan reiterou ainda a defesa do impeachment de ministros da Suprema Corte e afirmou que a população brasileira precisa retomar a mobilização política.
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