Marília Arraes defende equilíbrio entre Poderes e diz ser contra impeachment de ministros do STF

Plantão Jamildo.com | Publicado em 22/08/2026, às 13h33

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Marília Arraes (PDT), candidata ao Senado por Pernambuco, defendeu o equilíbrio entre os Poderes da República e afirmou ser contrária, atualmente, a qualquer processo de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) por razões políticas. A declaração ocorreu durante entrevista ao PodJá - o podcast do Jamildo, em que também tratou da possibilidade de estabelecer mandato para integrantes da Corte.

Ao abordar a discussão sobre o impeachment de ministros do STF, Marília afirmou que o tema não deve ser tratado a partir da divisão entre direita e esquerda. Para ela, o debate precisa considerar os efeitos de eventuais conflitos institucionais sobre a estabilidade política e econômica do país.

A gente não pode limitar esse debate do impeachment ou de qualquer relação entre os Poderes a direita defende impeachment, esquerda defende que não tem impeachment. Não. A gente tem que chegar e pensar como é que o Brasil vai ser visto no mundo se a gente começar a colocar um Poder interferindo na seara do outro”, afirmou.

Segundo a candidata, Legislativo e Judiciário devem respeitar as atribuições estabelecidas pela Constituição. Ela argumentou que um eventual processo de impeachment de um ministro do Supremo poderia elevar a percepção de risco sobre o país e produzir efeitos econômicos. “A gente tem que preservar a harmonia entre os Poderes. Isso é fundamental para a estabilidade do país, para diminuição do risco país, para governabilidade inclusive do Poder Executivo”, declarou.

Marília disse que o Senado, responsável por processar e julgar ministros do STF nos casos previstos constitucionalmente, deve atuar com cautela. “Hoje, eu sou contra qualquer hipótese de impeachment de ministro de STF. Não tem no Brasil razão para que haja impeachment de um ministro do STF”, disse.

Mandato para ministros do STF

Sobre a possibilidade de estabelecer mandatos para ministros do Supremo, Marília afirmou que considera o debate pertinente, especialmente diante da possibilidade de integrantes relativamente jovens permanecerem por décadas na Corte. Ela não indicou, contudo, um período específico e disse que gostaria de ouvir diferentes posições antes de formar uma conclusão. “Mandato, eu acho que deve ser discutido sim, principalmente se tratando de ministros jovens, que entram lá com 40 e poucos anos. Eu acho que pode ser discutido e gostaria de ouvir argumentos”, avaliou.

A candidata destacou a necessidade de recuperar, segundo ela, a disposição para ouvir posições divergentes, principalmente no Senado. Marília citou uma frase atribuída ao avô, o ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes, sobre a necessidade de experiência para ocupar uma cadeira na Casa. “Meu avô Arraes dizia que Senado era coisa para gente velha. Aí, quando hoje me chamou de senhora, dona Marília, eu deixo, que eu sou candidata a senadora”, pontuou, em tom de brincadeira.

Na sequência, ela explicou que, na interpretação que faz da frase do avô, a referência à idade estava relacionada à experiência e à maturidade necessárias para a função. “Você precisava ter uma experiência, ter uma maturidade, ter uma esperança para estar ali naquela Casa, que é a Casa que baliza a estabilidade do Brasil”, justificou.

“A intenção do constituinte de ter um ministro ali com o mandato vitalício é justamente de dar essa estabilidade. Porque, se um presidente vai, indica um ministro para estar ali no STF e esse ministro vai estar só durante o mandato do presidente, ele vai estar ali para servir ao presidente”, continuou.

Para Marília, qualquer mudança precisa avaliar se as razões que levaram à definição do modelo atual continuam válidas. “A gente quer que ele, apesar de estar indicado pelo presidente, tenha a independência que a Corte Constitucional precisa ter, que a Corte Suprema do Brasil precisa ter”, disse.

Ela afirmou ainda que, antes de defender uma mudança, é necessário analisar se a intenção do constituinte permanece adequada à realidade atual. “Hoje a gente tem que respeitar a Constituição. A gente tem que ser balizado pela Constituição e entender as razões do constituinte, ver se elas se encaixam no que hoje, na atualidade, nossa Constituição é de 88. Então, aquela intenção do constituinte se encaixa para os dias de hoje? Se sim, a gente tem que manter. Se não, a gente tem que discutir, escutar os argumentos contrários e aí tomar a decisão.”

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