Jamildo Melo | Publicado em 27/10/2026, às 11h10
Sim. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu em todos os nove estados do Nordeste, tanto no primeiro quanto no segundo turno da eleição presidencial de 2026.
Na votação decisiva, em 25 de outubro, o presidente reeleito também aumentou o número de votos e o percentual de votos válidos em cada um dos estados da região, na comparação com 4 de outubro.
O Nordeste deu a Lula cerca de 24,45 milhões de votos no segundo turno, contra aproximadamente 10,80 milhões para Flávio Bolsonaro (PL). A vantagem regional de cerca de 13,65 milhões de votos ajudou o petista a reverter o resultado nacional do primeiro turno.
A tabela mostra os votos e os percentuais dos dois candidatos em cada turno. Os percentuais consideram os votos válidos, sem incluir brancos e nulos.
No primeiro turno, havia outros candidatos na disputa. Por isso, os percentuais de Lula e Flávio, somados, ficam abaixo de 100%. No segundo turno, os votos válidos foram divididos entre os dois.
O Piauí foi o estado em que Lula alcançou seu maior percentual no segundo turno: 75,88% dos votos válidos, contra 24,12% de Flávio.
Em número absoluto, a maior votação veio da Bahia, maior colégio eleitoral da região. Foram 6.485.258 votos para o petista, ante 2.608.761 para o adversário.
Já Alagoas registrou o menor percentual de Lula entre os estados nordestinos: 60,77%. Foi também onde Flávio obteve seu melhor desempenho proporcional na região, com 39,23%.
Em Pernambuco, estado natal de Lula, o presidente passou de 3.553.971 votos no primeiro turno para 4.117.513 no segundo. Seu percentual subiu de 63,45% para 69,20%.
Flávio Bolsonaro também recebeu mais votos em números absolutos: passou de 1.738.043 para 1.832.554. Em percentual, foi de 31,03% para 30,80%.
A diferença entre os candidatos no estado cresceu de aproximadamente 1,82 milhão de votos no primeiro turno para 2,28 milhões no segundo.
No primeiro turno, Lula teve cerca de 21,49 milhões de votos no Nordeste, contra 10,40 milhões de Flávio. Na etapa seguinte, o petista acrescentou aproximadamente 2,96 milhões de votos à sua votação regional.
A vantagem de Lula no Nordeste passou de cerca de 11,10 milhões para 13,65 milhões de votos. Essa diferença foi maior que sua margem de vitória no país inteiro: aproximadamente 4,43 milhões de votos.
No resultado nacional, Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, ou 51,79% dos válidos. Flávio obteve 59.826.041 votos, equivalentes a 48,21%.
No primeiro turno, a ordem havia sido inversa: Flávio terminou à frente, com 47,03%, enquanto Lula recebeu 45,16%.
Os números mostram que Lula cresceu nos nove estados nordestinos, mas a apuração, por si só, não identifica de onde vieram os novos votos.
Entre as duas etapas, mudou o quadro da disputa: no primeiro turno, havia 12 candidaturas; no segundo, apenas Lula e Flávio. Também houve redução da abstenção em estados como Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe.
Essas mudanças ajudam a entender o novo cenário, mas não permitem afirmar, sem pesquisas específicas, quantos eleitores migraram de outros candidatos ou compareceram apenas na segunda votação.
O resultado confirma o peso do Nordeste para o campo petista nas eleições presidenciais. Desde 2002, o PT venceu todos os segundos turnos presidenciais na soma dos votos da região, com Lula, Dilma Rousseff e Fernando Haddad.
Isso não significa que o eleitorado nordestino tenha votado de forma uniforme. Flávio recebeu mais de 10 milhões de votos na região, e os resultados variaram entre os estados e municípios.
A eleição presidencial é decidida pela soma dos votos válidos em todo o país. O Nordeste foi decisivo para formar a vantagem de Lula, mas o resultado também dependeu dos votos obtidos nas demais regiões.
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