Cynara Maíra | Publicado em 08/06/2026, às 08h57 - Atualizado às 09h41
O ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias (PT), afirmou que Lula (PT) terá dois palanques em Pernambuco.
Em entrevista para o Jornal O Globo, divulgada nesta segunda-feira (08), Wellington Dias declarou que a coordenação da campanha de reeleição do petista estruturará arranjos múltiplos e palanques duplos em estados como Maranhão, Paraíba e Pernambuco.
Segundo o coordenador focado na região Nordeste, a estratégia prioriza a formação de alianças amplas com o centro político para ter uma maioria simples estável na Câmara e no Senado em um eventual segundo mandato.
Wellington foi perguntado diretamente sobre a situação em Pernambuco e confirmou que haverá palanque duplo no estado. "Vamos lembrar que ela [Raquel Lyra] se colocou primeiro como oposição (em 2022) e no segundo turno teve uma posição mais de neutralidade, mas uma parte considerável do nosso time ficou com ela", afirmou o ministro piauiense.
O ministro afirmou que organizará as composições das legendas em apoio a Lula a partir dos diretórios estaduais, em vez de "resolver por cima", a partir das posições nacionais. "Devemos organizar estado por estado, porque é lá que sabemos quem é governo e quem é oposição. É lá que estão colados com o eleitor". Essa posição poderia favorecer Raquel, já que nacionalmente o PSD terá candidato para presidente.
O dilema do palanque duplo em Pernambuco tem sido debate desde o ano passado. Após Raquel Lyra se aproximar do presidente Lula desde o início de seu mandato como governadora, diversos nomes próximos ao petista passaram a defender uma maior aliança com Raquel. Especula-se que além de conseguir maiores recursos, a saída de Raquel do PSDB para o PSD seria uma forma de estar na base de Lula.
Próximo da gestora, o ex-ministro Chefe da Casa Civil Rui Costa (PT) chegou a dizer ano passado que a governadora seria uma aliada do governo.
Como o PSB é o apoio oficial do PT, em diversas alianças nacionais entre os partidos, a ideia do palanque duplo seria uma vantagem para Raquel, já que João que seria o nome mais óbvio para aliança.
Como presidente nacional do PSB, uma aliança de Lula com João é importante para o PT, já que é a legenda do vice-presidente Geraldo Alckmin e os partidos devem formalizar coligações em 13 palanques estaduais.
Alguns petistas, como os deputados estaduais João Paulo e Doriel Barros, votam com os governistas na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) e defendem a tese de que Lula deve subir no máximo de palanques possíveis para conseguir mais votos. Apesar de ter simpatizantes importantes no PT, mais de 80% dos correligionários de Pernambuco aprovaram o apoio da sigla a uma coligação com o PSB de João Campos durante a assembleia do PT-PE, em 28 de março.
Essa posição de palanque duplo traria desvantagem para João Campos, que quer utilizar a aliança com Lula como vantagem para campanha. Nas últimas semanas, o ex-prefeito tem acompanhado agendas federais em Pernambuco e já repassou recados do presidente para população.
Após uma visita ao presidente logo após a pesquisa Datafolha mostrar vantagem numérica para Raquel Lyra, João cumpriu agendas em Serra Talhada em que transmitiu uma mensagem de Lula que teria afirmado que ambos estariam andando juntos no estado.
A entrada do deputado federal Túlio Gadelha no PSD de Raquel Lyra seria uma forma de reforçar esse vínculo com o eleitorado que apoia Lula no estado, mas que pretende votar em Raquel, o chamado voto "Luquel".
Apesar do PSD ter candidato para Presidência da República, o presidente do partido, Gilberto Kassab, já liberou diretórios estaduais, especialmente os do Nordeste, para defender Lula caso faça sentido para composição regional.
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