Justiça Federal manda derrubar muro no Pontal de Maracaípe em nova decisão sobre caso

Cynara Maíra | Publicado em 21/05/2026, às 08h09 - Atualizado às 08h34

De acordo com o processo, o muro atrapalha o local de desova de tartarugas - 📸 Ibama
COMPARTILHE:

Ler resumo da notícia

A 35ª Vara Federal de Pernambuco determinou a demolição integral do muro de 576 metros construído na praia do Pontal de Maracaípe, em Ipojuca, Litoral Sul do estado.

A sentença fixa um prazo de 15 dias para que o proprietário do terreno, o empresário João Vita Fragoso de Medeiros, remova toda a estrutura.

A decisão atende a um pedido da Procuradoria Regional Federal da 5ª Região (PRF5) e da Advocacia-Geral da União (AGU), que representam o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em uma ação civil pública do Ministério Público Federal (MPF).

Caso o proprietário descumpra a ordem judicial dentro do prazo estipulado, o Ibama e a Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) têm autorização para realizar a remoção diretamente. Os custos operacionais da ação sofrerão cobrança posterior ao responsável pela obra. O empresário ainda pode recorrer da decisão.

Após a entrada da União no processo, o caso passou para a esfera federal devido ao interesse na proteção da faixa litorânea e da área de preservação. Uma perícia técnica da Justiça Federal concluída em outubro de 2025 deu base para a sentença atual. O laudo confirmou que o muro intensifica a erosão costeira, provocou o soterramento de 727 metros quadrados de vegetação nativa de restinga e causou a supressão de recursos naturais no manguezal.

Os analistas também identificaram danos à fauna marinha. Segundo o relatório, a barreira interfere diretamente em uma extensão de 136 metros de praia usada para a desova de tartarugas marinhas.

Também se afirma que os sacos de ráfia sofrem decomposição e podem liberar fragmentos plásticos na água, gerando riscos de asfixia e bloqueio intestinal para os animais que habitam a região.

Histórico do impasse em Maracaípe

O impasse em torno da barreira de troncos de coqueiro e sacos de ráfia com areia ocorre desde maio de 2023.

Na época, a CPRH concedeu uma autorização inicial sob a justificativa de conter a erosão costeira na propriedade da família Fragoso, com dez hectares na região desde 1970.

Apesar disso, o Ibama apontou após vistorias que a estrutura atingiu o dobro do tamanho permitido originalmente e avançou além dos limites privados, adentrando em terrenos de marinha e áreas públicas de uso comum do povo.

A barreira motivou protestos de moradores, comerciantes e ambientalistas por restringir o acesso à praia e prejudicar o turismo local.

A disputa judicial gerou diversas mudanças e conflitos de competência nos últimos anos. Em janeiro de 2025, a CPRH iniciou a demolição administrativa amparada por uma decisão do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE).

Após o início das demolições, os responsáveis reconstruíram o trecho danificado poucas horas depois. Um dos políticos defensores da manutenção do muro, em 2024 o deputado federal Coronel Meira (PL) chegou a participar da reconstrução da estrutura, O Jamildo.com procurou o deputado neste momento para se pronunciar sobre a decisão, caso haja uma resposta essa matéria será atualizada.

Pontal de Maracaípe

Leia também

Primeiro trem usado adquirido pela CBTU chega ao Recife para reforçar Linha Sul


Fórum da FIEPE discutirá impacto de Suape na economia de Pernambuco


Prefeitura do Recife entrega habitacional para famílias afetadas por obras da Ponte Jaime Gusmão