Cynara Maíra | Publicado em 06/07/2026, às 10h28 - Atualizado às 11h07
O advogado, cientista político e professor universitário Isaac Luna lança, neste mês de julho de 2026, o livro "Quem Está no Controle?: Poder e Democracia na Era dos Algoritmos".
A publicação investiga os impactos das plataformas digitais, da inteligência artificial e dos sistemas automatizados na experiência democrática atual. O autor levanta como principal hipótese teórica a confirmação de um novo modelo de regime, batizado de Algoritmocracia.
Segundo Isaac, o início da obra fala sobre a forma sutil como ferramentas de uso diário, a exemplo de Waze, Spotify, Gmail e Tinder, recomendam e definem escolhas, hábitos e comportamentos.
Em resposta a questionamentos do Jamildo.com sobre o desafio de traduzir conceitos complexos para o público leigo, o cientista político defende que, embora os conceitos por trás desses mecanismos tenham alta complexidade teórica, qualquer cidadão consegue sentir e perceber o resultado prático de suas aplicações no dia a dia.
Luna detalhou os bastidores do corte de mais de 50 páginas na revisão final para garantir um texto mais direcionado e enxuto e enfatizou a necessidade de trazer teorias globais para o contexto local.
"Os autores referenciais do texto tratam a questão de forma mais ampla e a partir de realidades distintas da nossa. Daí surgiu o maior desafio do livro: adaptar o pensamento de Han, Yuval, Mounk, Morozov e outros autores à realidade brasileira. Entendi que não havia como discutir seriamente os impasses da democracia brasileira sem tratar o papel do STF e a ascensão das igrejas evangélicas na cena política do país", explicou o autor.
O jurista e professor Walber de Moura Agra assina o prefácio do livro. No texto de apresentação, Agra fala sobre um deslocamento do centro do poder tradicional, que deixou de disputar apenas forças militares ou territórios para focar no controle da atenção e da psique humana por meio de dados.
O prefácio cita que a obra rejeita o alarmismo e a tecnofobia simplista, reconhecendo o potencial de emancipação da tecnologia, mas alertando para a forma como grandes corporações e interesses econômicos a instrumentalizam.
A arquitetura da publicação distribui-se em cinco capítulos principais. O primeiro bloco introduz as advertências iniciais e estabelece diálogos com pensadores como Byung-Chul Han, Yuval Noah Harari, Yascha Mounk, Evgeny Morozov e Sérgio Amadeu da Silveira.
O livro avança pelo diagnóstico do ecossistema hiperconectado, o debate filosófico sobre o livre-arbítrio e o surgimento do ciberpopulismo. A eleição de Donald Trump nos Estados Unidos em 2016 é um dos estudos de caso centrais para demonstrar a eficácia do uso de dados comportamentais.
O material também analisa a realidade brasileira, avaliando a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) diante de redes de desinformação.
O embrião da pesquisa surgiu a partir das atividades do Grupo de Pesquisa em Estudos Eleitorais Avançados do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE).
Para o desenvolvimento do ensaio, o autor contou com o suporte do Grupo Ser Educacional, instituição na qual coordena o curso de Direito da Uninassau Juazeiro do Norte. O livro inaugura a coleção "Cultura, Democracia e Justiça", do selo editorial do escritório Antônio Ribeiro Advogados Associados.
Isaac Luna é mestre em Direito pela UFPE, especialista em Realidade Política Brasileira pela Unicap e membro da Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP) e da Abradep.
Além de coordenar o curso de Direito da Uninassau Juazeiro do Norte e a filial Cariri do escritório Antônio Ribeiro Advogados Associados, ele atua como consultor e colunista político.
Sua trajetória acumula passagens pela gestão acadêmica das faculdades Joaquim Nabuco e Faculdade dos Guararapes, cargos diretivos na OAB-PE, onde foi diretor da Escola Superior de Advocacia, e inserções na gestão pública, quando exerceu o cargo de secretário executivo de Cultura em Jaboatão dos Guararapes (PE) e de secretário municipal de Cultura em Barbalha (CE).
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