Intervenção nacional do Cidadania muda grupos políticos e aliados de Raquel Lyra voltam ao poder

Cynara Maíra | Publicado em 23/02/2026, às 10h21 - Atualizado às 11h33

- Leopoldo Conrado Nunes- Reprodução Threads
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O Cidadania em Pernambuco volta a ter um presidente aliado da governadora Raquel Lyra (PSD). Após a Justiça reconduzi-lo à Presidência da sigla, o ex-deputado federal pernambuco Roberto Freire assumiu o comando do partido no país. 

Logo depois da decisão, o político fez uma intervenção no diretório de Pernambuco e substituiu Cláudio Carraly, eleito para líder do partido em 2025, pelo diretor-presidente da Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), João Baltar Freire. A ideia é retornar a configuração anterior das decisões nacionais que foram questionadas. 

A mudança também deve mudar o posicionamento político da legenda no estado. Carraly tinha um perfil mais à esquerda e foi eleito com foco em uma possível federação com o PSB de João Campos. João Baltar Freire é um aliado de Raquel Lyra. Segundo Baltar, o partido teria sido o primeiro a apoiar Raquel para eleição de 2022, antes mesmo do PSDB. 

João Freire esteve no comando do partido até 2025. 

Após a divulgação da mudança, o presidente destituído declarou que acionará a justiça ao citar que a decisão de Roberto seria "ilegal, desrespeitosa e incompatível com a trajetória histórica do partido e com as normas que regem a vida partidária". 

Este Diretório não é fruto de indicação cartorial, nem de arranjo burocrático. É resultado de um processo político legítimo, construído em apenas quatro meses com a realização de 18 Congressos Municipais, culminando no XXI Congresso Estadual. Não aceitaremos que esse processo coletivo, legítimo e democrático seja desconsiderado por decisão monocrática, sem diálogo com a base e sem respeito às instâncias partidárias"diz a nota de Cláudio Carraly. 

A situação é semelhante ao caso do PSDB em 2025, porém em formato contrário para os espectros políticos. Após a saída de Raquel Lyra da legenda, o diretório nacional tucano decidiu afastar Fred Loyo da liderança para colocar o presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, Álvaro Porto. Porto é adversário de Raquel e move o partido para o lado de João Campos. 

As tensões entre os Freire e o então presidente do Cidadania-PE já ganhou contornos públicos anteriormente. No começo de janeiro desse ano, Carraly divulgou uma nota em que criticava falas de Roberto Freire em um podcast e indicava que o posicionamento do agora presidente nacional eram "minoritárias " em relação aos militantes do partido. 

"Roberto Freire não representa a vontade majoritária do Cidadania no Brasil. A direção nacional legítima do partido, eleita democraticamente em seu último congresso nacional, passou pelo abandono da presidência por parte do então presidente, cabendo ao então vice-presidente, Comte Bittencourt, assumir a presidência e tornar-se a partir daí o presidente nacional do Cidadania. As posições defendidas por Freire são totalmente minoritárias no partido, para não dizer irrelevantes. Ele se mantém no cargo apenas por uma decisão interlocutória da justiça, sendo, na prática, presidente de si mesmo e de pouquíssimas pessoas que o cercam. Essa situação momentânea não pode ser confundida com legitimidade política ou representatividade da vontade partidária", disse em janeiro. 

O Cidadania já foi a casa de grandes aliados de Raquel, como a vice-governadora Priscila Krause (PSD) e o secretário de Meio Ambiente, Daniel Coelho (PSD), que migraram para o PSD. 

Ao assumir o cargo com a intervenção, João Baltar citou que a tendência é apoiar novamente a governadora em sua reeleição

Entenda impasse nacional do Cidadania

A reintegração de Roberto Freire à presidência por liminar acatada pelo TJ-DF ocorreu em dezembro de 2025. Freire foi eleito em março de 2022, mas uma reunião extraordinária do Diretório Nacional em setembro de 2023 o afastou por supostas falhas em registro cartorial de alta, falta de convocação regular e descumprimento estatuário. Em janeiro de 2026  anulação de uma autoconvocação do diretório em janeiro de 2026

Em 13 de janeiro de 2026, a Justiça anulou reunião autoconvocada do Diretório Nacional em 8 de janeiro, por violar a decisão do TJ-DF que exclusiva o poder de convocação a Freire. A medida indicou que a  autoridade seria de Freire e ordenou regularização no TSE. 

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