Cynara Maíra | Publicado em 18/07/2026, às 08h21 - Atualizado às 09h24
O deputado federal Eduardo da Fonte (PP) e o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil) compareceram em agendas diferentes com a governadora Raquel Lyra (PSD) na sexta-feira (17). A situação ocorre enquanto ambos disputam a vaga ao Senado da federação União Progressista na chapa da governadora.
Unidos no evento de Nossa Senhora do Carmo na quinta-feira (16), Dudu e Miguel acompanharam Raquel em duas visitas distintas na sexta.
Miguel esteve com Raquel no Congresso das Mulheres da Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Pernambuco (IEADALPE) e no almoço de membros do Podemos com a governadora. A legenda de Marcelo Gouveia apoia a pré-candidatura de Coelho ao Senado.
Já Eduardo da Fonte fez um ato político em Moreno em que defendeu novamente a postulação ao Senado e à noite foi para a abertura do Festival Pernambuco Meu País em Pesqueira, com Raquel Lyra.
Em Moreno, pouco antes do evento político, Dudu visitou as obras da Barragem do Engenheiro Pereira junto ao prefeito correligionário Edmilson Cupertino (PP) e elogiou a governadora Raquel Lyra pela retomada do projeto. Da Fonte aproveitou o ato político para falar sobre os investimentos que fez como deputado.
Com Raquel no Festival Pernambuco Meu País, Dudu acompanhou a abertura da terceira edição do circuito cultural em Pesqueira, no Agreste Central, ao lado do prefeito Cacique Marcos Xukuru e do deputado federal Túlio Gadelha.
No município, o progressista ressaltou ações de seu mandato, como a implantação da Casa Azul para crianças autistas, e afirmou que integrar o ato "ao lado da governadora Raquel Lyra e desse grande time, só fortalece a nossa missão de continuar transformando Pernambuco”, em gesto a Raquel.
Presidente estadual do PP, maior partido da federação em Pernambuco em número de parlamentares na Câmara, Eduardo da Fonte também é o líder da federação e da maior parcela do grupo. Apesar disso, Miguel teria o apoio de outros partidos, de outro pré-candidato ao Senado na chapa de Raquel (Túlio Gadelha) e o endosso do presidente nacional da federação, o também líder do União Brasil nacional, Antônio Rueda.
Especula-se que Raquel teria uma preferência pelo nome de Miguel e que já teria convidado anteriormente Eduardo da Fonte para chapa, mas outros nomes aliados da governadora indicam que Lyra seguirá com a posição que o diretório nacional do União Progressista decidir. O problema é que o impasse também envolve Antônio Rueda e o vice-presidente da federação Ciro Nogueira, líder do PP Nacional, que defendem seus respectivos correligionários.
O principal problema do embrólio seria o tempo, já que Raquel tem até 5 de agosto para apresentar completamente sua chapa, que precisaria já estar com a definição dos nomes ao Senado. A convenção do PSD deve ocorrer nos dias 1 e 2 de agosto, daqui a duas semanas. Normalmente, neste evento dos candidatos à disputa majoritária, o político apresenta toda a composição de chapa, incluindo os postulantes ao Senado.
Raquel precisa do União Progressista para igualar o tempo de TV ao do principal adversário, o ex-prefeito do Recife João Campos. Sem a federação, a gestora perderia 2 minutos e 28 segundos e ficaria com menos de 3 minutos de tempo total. João Campos tem 4 minutos e 46 segundos.
Miguel e Dudu se degladeiam pela vaga porque sabem que um evento senador da federação teria mais poder de decisão, o que aumentaria as forças de um dos partidos do grupo. Até o momento, a vantagem seria do PP, mas caso Miguel entrasse para o Senado, teria peso nas posições, o que diminuiria a relevância política de Eduardo. Caso da Fonte levasse a vaga e fosse eleito, a força dele na federação não permitiria grandes espaços para os Coelho.
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