Debate para o Senado: em tom cordial, candidatos medem forças e apresentam propostas; veja principais destaques

Cynara Maíra | Publicado em 02/09/2026, às 16h00

Eduardo da Fonte, Humberto Costa e Marília Arraes, Mendonça Filho, Paulo Rubem Santiago e Túlio Gadelha participaram de debate do g1 - Globo/Andréa Rêgo Barros
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Nesta quarta-feira (02), o G1 realizou o primeiro debate com candidatos ao Senado em Pernambuco. Inédito no estado, a programação com os seis nomes em partidos com mais de cinco representantes no Congresso Nacional destoou de outros debates dos últimos anos ao manter a cordialidade, sem pedidos de resposta, com alfinetadas pontuais e foco nas propostas dos políticos. 

Participaram do encontro : 

O debate reuniu seis temas sorteados antes do início da transmissão: Responsabilidade Fiscal, Interiorização da Saúde, Violência contra a Mulher, Relação entre Poderes, Emendas Parlamentares e Mudanças Climáticas. Cada candidato administrou um banco individual de 15 minutos ao longo de todo o programa.

Os maiores confrontos ficaram entre Mendonça Filho, Marília Arraes e Paulo Rubem Santiago, com situação próxima ao senador Humberto Costa.

Mendonça foi o candidato que mais alfinetou os adversários. O deputado Eduardo da Fonte focou em seus projetos como deputado federal, enquanto Túlio Gadelha direcionou grande parte de suas falas em defesa da governadora Raquel Lyra (PSD).

O Jamildo.com captou a transcrição de todo o debate. No total, Marília, Humberto e o próprio Túlio citaram o presidente Lula em diversas ocasiões. O presidente da República foi citado 25 vezes, dessas: 

A governadora foi citada 23 vezes, mais da metade dessas pelo deputado Túlio Gadelha. No total, a divisão ficou: 

Fora da chapa oficial de Raquel, Mendonça compete pelo voto do eleitorado da governadora junto a Túlio e Dudu.

O ex-presidente Jair Bolsonaro foi citado cinco vezes e o ex-presidente Temer duas vezes. 

As palavras mais citadas por cada candidato foi: 

Responsabilidade fiscal e contas públicas

A discussão sobre as contas públicas abriu o confronto. Eduardo da Fonte defendeu a organização dos gastos governamentais e citou as taxas de juros no cartão de crédito como exemplo do impacto das decisões fiscais sobre o orçamento das famílias.

Mendonça Filho criticou a condução econômica do governo federal. Segundo o parlamentar, a criação de novos tributos eleva a inflação dos alimentos e pressiona as taxas de juros pagas pelos trabalhadores.

Marília Arraes rebateu as críticas da oposição e declarou que responsabilidade fiscal não significa cortar programas sociais.

A candidata defendeu a justiça tributária, argumentando que o aumento do poder de compra da população pobre movimenta o comércio e sustenta a arrecadação. Humberto Costa defendeu os resultados fiscais das gestões petistas, citou a quitação de precatórios e propôs o corte de privilégios corporativos nos poderes, além da revisão de isenções fiscais concedidas a grandes empresas.

Paulo Rubem Santiago chamou a atual Lei de Responsabilidade Fiscal de "papangu de Bezerros". O candidato da Rede propôs revogar o texto atual e criar a Lei de Responsabilidade para o Desenvolvimento, com foco na tributação sobre grandes fortunas para financiar obras públicas. Túlio Gadelha defendeu a gestão estadual de Raquel Lyra, afirmando que o cancelamento de contratos dispensáveis gerou uma economia de R$ 2 bilhões revertida em obras de infraestrutura.

Interiorização da saúde e propostas para o SUS

O debate sobre saúde reuniu propostas para a rede hospitalar e divergências sobre o modelo de atendimento público. Eduardo da Fonte defendeu o repasse de emendas para a compra de equipamentos oncológicos e citou a construção do Hospital do Câncer do Sertão do Araripe.

O parlamentar também propôs a unificação do prontuário eletrônico em toda a rede do SUS e a contratação de profissionais para orientar pacientes em tratamento contra o câncer.

Marília Arraes defendeu a inclusão de medicamentos para emagrecimento, a exemplo do Mounjaro, na Farmácia Popular.

Segundo a postulante, a medida previne problemas cardiovasculares e diabetes. Ela também propôs atendimento médico no SUS voltado a mulheres durante a menopausa. Paulo Rubem contestou a oferta de remédios emagrecedores, afirmando que a iniciativa atende a interesses comerciais. O docente declarou que a prioridade pública deve se concentrar em saneamento básico, educação física escolar e oferta de alimentos saudáveis.

Humberto Costa relembrou sua atuação como ministro da Saúde e citou a criação do Samu, da Farmácia Popular e do programa Brasil Sorridente. O senador também defendeu a atuação de médicos na atenção primária.

Mendonça Filho respondeu ao petista com críticas à contratação de profissionais cubanos no passado. O candidato do PL defendeu a abertura de faculdades de medicina no interior pernambucano para formar profissionais brasileiros e a descentralização de serviços de hemodiálise e quimioterapia.

Violência contra a mulher e debates institucionais

No bloco sobre segurança pública, Marília Arraes criticou a estrutura das delegacias da mulher em Pernambuco, afirmando que mais da metade funciona apenas em horário comercial.

A candidata propôs verbas federais para garantir atendimento ininterrupto nesses postos e a abertura de salas de acolhimento nos municípios. Humberto Costa citou projeto de sua autoria que cria um auxílio financeiro temporário para mulheres que deixam relações violentas.

Mendonça Filho propôs o endurecimento da legislação penal contra autores de feminicídio e estupro. O deputado defendeu o cumprimento integral das condenações em regime fechado, sem progressão de regime ou saídas temporárias. Ele também defendeu a redução da maioridade penal para 16 anos. Eduardo da Fonte defendeu o uso imediato de tornozeleira eletrônica no agressor no momento do registro da queixa na delegacia.

A relação entre os poderes gerou divergências sobre a composição do Judiciário. Eduardo da Fonte defendeu mandatos de oito anos para ministros do STF e do STJ. Túlio Gadelha rejeitou a proposta, afirmando que prazos fixos criam instabilidade jurídica e subordinam a Corte aos interesses do presidente da República de turno.

Mendonça Filho criticou decisões da Suprema Corte e defendeu o respeito ao devido processo legal nos julgamentos. Marília Arraes e Humberto Costa defenderam as instituições e classificaram os atos de 8 de janeiro de 2023 em Brasília como uma tentativa de ruptura democrática. O debate também teve trocas de críticas entre Mendonça, Marília e Paulo Rubem sobre o impeachment de 2016 e composições partidárias.

Seção sobre orçamento e meio ambiente no debate

Na discussão sobre emendas parlamentares, Paulo Rubem propôs suspender repasses individuais por dois anos até a aprovação de regras rígidas de controle orçamentário. Túlio Gadelha citou a iniciativa do seu mandato de fazer consultas públicas  para definir o destino dos recursos. Humberto Costa e Mendonça Filho afirmaram que as verbas mantêm serviços em prefeituras do interior, desde que preservadas as regras de transparência.

No bloco ambiental do debate, os concorrentes discutiram obras de contenção de enchentes. Humberto Costa e Marília Arraes cobraram a conclusão de barragens e obras de drenagem para proteger municípios da Mata Sul. Mendonça Filho citou intervenções de contenção de encostas feitas em gestões estaduais anteriores. Paulo Rubem posicionou-se contra o desmatamento na Área de Proteção Ambiental Aldeia-Beberibe para a construção da Escola de Sargentos do Exército.