Túlio Gadelha recebeu convite para o Senado há quatro meses e comunicou decisão a Fernando Dueire

Convite antecipado a Túlio Gadelha, aviso ao senador Fernando Dueire e meses de articulação, nos bastidores da formação da chapa de Raquel Lyra

Jamildo Melo

por Jamildo Melo

Publicado em 12/08/2026, às 09h52 - Atualizado às 10h19

Túlio Gadelha com Raquel e Priscila
Apesar da juventude, o deputado federal Túlio Gadelha planeja obter uma das duas cadeiras no Senado federal - Lucas Moreira/divulgação

Túlio Gadelha recebeu o convite para disputar o Senado há cerca de quatro meses e informou sua decisão ao senador Fernando Dueire.

A informação reforça que a mudança na chapa de Raquel Lyra começou a ser desenhada meses antes das convenções.

Os bastidores ajudam a explicar as sucessivas alterações na composição governista.

O deputado federal Túlio Gadelha (PSD) revelou a aliados que foi convidado para disputar uma vaga ao Senado Federal ainda há cerca de quatro meses, muito antes da oficialização da chapa da governadora Raquel Lyra (PSD), no começo de agosto.

Segundo apurou o Jamildo.com, o parlamentar informou sua decisão ao então pré-candidato à reeleição, senador Fernando Dueire (MDB), logo após aceitar o convite para ingressar no projeto eleitoral.

No gabinete do senador, Gadelha disse a Dueire que estava entrando na disputa não para ser candidato a pré-candidato na chapa, em uma alusão ao aval da governadora. Consta que Dueire ouviu e comentou que iria buscar se viabilizar, considerando que ainda poderia disputar com Miguel Coelho e Eduardo da Fonte.

Os bastidores desta conversa acrescentam um novo elemento à sucessão de mudanças que marcaram a composição da chapa governista nas eleições de 2026.

Ao longo dos últimos meses, as articulações envolveram diferentes partidos, negociações nacionais e rearranjos políticos que alteraram mais de uma vez o desenho inicialmente previsto.

Chapa passou por mudanças

Nas primeiras discussões sobre a reeleição de Raquel Lyra, o nome de Fernando Dueire aparecia como favorito para renovar o mandato de senador na chapa. O MDB, partido do parlamentar, integrava a base do governo estadual, e a expectativa era de manutenção da aliança.

Com o avanço das negociações, entretanto, o cenário mudou. A entrada definitiva do PSD na estratégia eleitoral da governadora fortaleceu a necessidade de ampliar o espaço do partido na chapa majoritária.

Mas não foi exatamente esse contexto que surgiu o convite para Túlio Gadelha disputar o Senado. O deputado federal seria usado para dar um verniz mais à esquerda a chapa da situação.

Nesta semana, Dueire repetiu que vai voltar em Lula e que poderia ter sido uma ponte com Lula. Ele anunciou apoio à candidatura de Humberto Costa, do PT, mas não disse qual seria o voto do segundo senador para seu grupo, como mostrou o site Jamildo.com.

Na avaliação dos governistas, o nome de Dueire não agregava tanto quanto Tulio porque as suas bases tem superposição às bases da governadora. E Túlio ofecere a vantagem de dividir os votos da esquerda e de Lula, buscando enfraquecer o palanque de João Campos.

Reacomodação política

A mudança desencadeou uma série de reacomodações entre os aliados. Fernando Dueire acabou ficando fora da chapa majoritária, enquanto o PSD consolidou maior protagonismo na campanha de Raquel Lyra.

Posteriormente, outra vaga ao Senado também passou por alterações durante as negociações envolvendo PP, União Brasil e demais partidos da base. Ao final das convenções, a composição foi fechada com Túlio Gadelha e Eduardo da Fonte (PP) como candidatos ao Senado na coligação governista.