Coronel Feitosa defende Flávio Bolsonaro na Alepe e desafia PT a assinar CPMI do Banco Master

Cynara Maíra | Publicado em 15/05/2026, às 11h05 - Atualizado às 11h31

O deputado Alberto Feitosa é um dos mais estridentes opositores na Alepe - Divulgação
COMPARTILHE:

O deputado estadual Coronel Alberto Feitosa (PL) utilizou a tribuna da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) na quinta-feira (15) para defender o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL).

O pronunciamento ocorreu após o vazamento de áudios e mensagens do parlamentar federal com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Feitosa cobrou a instalação imediata de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) no Congresso Nacional para apurar o caso e comprovar que não há irregularidades. 

Durante o discurso, o deputado minimizou o teor das conversas e desafiou a bancada lulista apoiar a investigação.

Pedir patrocínio privado não é mesada, não é suborno, não é corrupção, não é crime! Defendo imediatamente a instalação de uma CPMI para apurar e o Brasil possa acompanhar, todos os fatos que envolvem o caso do Banco Master e Daniel Vorcaro. É isso que Flávio Bolsonaro e o nosso partido, o PL, também defende. Vamos apurar tudo, ‘doa a quem doer’, pois ‘quem não deve não teme’, assim, daqui da tribuna da ALEPE, desafio os deputados e senadores do PT a assinarem a CPMI e a articular, junto ao presidente do senado, David Alcolumbre para ela seja instalada imediatamente”, afirmou Feitosa.

Financiamento em Hollywood e a Investigação da PF

O caso veio a público na última quarta-feira (13) através de uma reportagem investigativa do site The Intercept Brasil. Os registros de mensagens do WhatsApp, que datam de novembro de 2025, mostram Flávio Bolsonaro negociando o repasse de R$ 134 milhões com o banqueiro.

O montante tinha como objetivo financiar "Dark Horse", uma produção cinematográfica sobre a vida de Jair Bolsonaro.

O projeto conta com a direção do cineasta americano Cyrus Nowrasteh e traz o ator Jim Caviezel no papel principal. Nos áudios, o senador demonstrava preocupação com o fluxo do dinheiro, afirmando que seria prejudicial interromper os pagamentos a nomes do cinema mundial. O Banco Master teria aportado R$ 614 milhões no Grupo Entre, empresa que intermedeia a produção.

O destinatário dos pedidos de Flávio Bolsonaro enfrenta problemas com a Justiça. Daniel Vorcaro é alvo de investigações por uma suspeita de fraude bancária de R$ 47 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). As diligências integram a Operação Compliance Zero da Polícia Federal, sob sigilo. O Banco Central inclusive vetou transações de venda do Master ao BRB no final do ano passado devido às auditorias.

O vazamento provocou uma mudança na linha de defesa de Flávio Bolsonaro ao longo do dia 13 de maio. Pela manhã, o senador negou categoricamente a existência dos áudios ao ser abordado por jornalistas no Supremo Tribunal Federal (STF).

À tarde, após a publicação dos arquivos e a viralização do termo "BolsoMaster" nas redes sociais, o parlamentar recuou. Em vídeo publicado à noite, ele confirmou a autenticidade da voz, mas alegou que o pedido tratava de captação legítima de patrocínio privado.

Alberto Feitosa Flávio Bolsonaro Banco master

Leia também

Empresários defendem fim da escala 6x1 e citam aumento de produtividade e retenção de funcionários


João Campos marca presença em aniversário de Abreu e Lima e alinha detalhes da pré-campanha na cidade


Raquel Lyra nomeia indicado do PP para presidência do Detran, como antecipou o Jamildo.com