Plantão Jamildo.com | Publicado em 27/01/2026, às 18h03
Avanço da desinformação e uso crescente de inteligência artificial figuram entre os principais desafios para a segurança das eleições, afirmou a presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, nesta terça-feira (27), durante a abertura de seminário da Corte, em Brasília. Segundo ela, cabe à Justiça Eleitoral identificar e conter manipulações sem comprometer a liberdade de expressão.
Ao tratar do tema, a ministra defendeu o fortalecimento de medidas preventivas e o uso responsável das tecnologias. “A desinformação é um dado que todo o mundo olha com cuidado, assim como a inteligência artificial, que muitas vezes passam com falsidade. Temos que garantir que as tecnologias sejam utilizadas de maneira transparente, para saber se foi manipulado e como retirar isso sem ferir a liberdade de expressão”, afirmou.
A presidente do TSE destacou que cada eleição impõe desafios específicos, sem que isso represente instabilidade institucional. Segundo ela, a atuação da Justiça Eleitoral deve estar voltada à preservação da confiança da sociedade. “Temos o dever de atuar para garantir a confiança do eleitor nos juízes e juízas eleitorais, nos mesários e mesárias. Precisamos assegurar a integridade do processo eleitoral e a confiança da sociedade”, declarou.
Cármen Lúcia também ressaltou que o sistema eleitoral deve proteger a liberdade de escolha do eleitor e coibir qualquer forma de abuso. “Qualquer tipo de restrição do direito ao voto precisa ser devidamente cortado. O que temos é assegurar que cada eleitor possa escolher seu representante sem pressões internas e sem abusos”, disse.
Na avaliação da ministra, a segurança das eleições envolve uma atuação integrada de mesários, forças policiais e demais profissionais que participam da organização do pleito. Ela lembrou ainda a evolução do sistema eleitoral brasileiro, que deixou práticas associadas ao coronelismo no século passado e passou a operar com um modelo eletrônico, auditável e confiável.
As declarações foram feitas na abertura do Seminário da Justiça Eleitoral sobre Segurança, Comunicação e Desinformação, promovido pelo TSE como parte da preparação institucional para as eleições gerais de 2026. O encontro reúne técnicos da Justiça Eleitoral e representantes de órgãos de investigação e controle para discutir riscos ao processo eleitoral, proteção das estruturas da Corte e estratégias de enfrentamento à desinformação.
A iniciativa integra uma agenda mais ampla do tribunal voltada ao reforço dos mecanismos de proteção do sistema eleitoral em um contexto de circulação recorrente de conteúdos enganosos sobre as urnas e sobre a atuação da Justiça Eleitoral. O debate se conecta ao Programa Permanente de Enfrentamento à Desinformação, criado em 2021, que envolve parcerias com órgãos públicos, entidades privadas, agências de checagem, universidades, partidos políticos e plataformas digitais.
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