Câmara do Recife rejeita pedido de impeachment de João Campos após confusões

Cynara Maíra | Publicado em 03/02/2026, às 11h47 - Atualizado às 12h52

Pedido de impeachment de Eduardo Moura não foi aceito pela Câmara - REPRODUÇÃO/ CÂMARA DO RECIFE
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A Câmara Municipal do Recife rejeitou, na manhã desta terça-feira (3), a admissibilidade do pedido de impeachment contra o prefeito João Campos (PSB).

Por 25 votos a 9 e uma abstenção, o plenário decidiu arquivar a denúncia, encerrando o processo ainda na fase inicial. A sessão teve galerias lotadas, xingamentos e momentos de alta tensão entre governistas e oposicionistas.

Desde cedo, filas se formaram na entrada da Casa de José Mariano, divididas entre apoiadores de João Campos e oposicionistas.

O Debate e a Ofensa

O autor do pedido, vereador Eduardo Moura (Novo), não pôde votar por impedimento regimental e foi substituído pelo suplente George Bastos (Novo). Em sua defesa de 10 minutos, Eduardo questionou a justiça do ato do prefeito e pediu a abertura de investigação, argumentando que a votação não era uma condenação antecipada, mas um direito de apuração.

"Não é uma condenação, é uma investigação. Será que os senhores vão querer na história os seus nomes marcados por terem ao menos tirado esse direito de uma investigação da casa?", questionou Moura na tribuna.

O líder do governo, Samuel Salazar (MDB), rebateu as acusações, classificando a denúncia como "vazia" e "pirotecnia". Salazar defendeu que o prefeito apenas assinou nomeações que chegaram prontas e que o caso já foi resolvido administrativamente.

O clima esquentou quando Salazar reproduziu um áudio do suplente George Bastos chamando os manifestantes nas galerias de "mundiça". A declaração gerou gritaria no plenário e entre o público presente. Bastos, em sua justificativa de voto, reiterou a fala.

Ao pegar o microfone, o vereador confirmou o teor do áudio vazado. "Quem falta ao trabalho para estar presente na Câmara Municipal fazendo claque pra gestão é mundiça", disparou Bastos.

O Placar da votação do impechament de João Campos

A rejeição do pedido contou com a ampla maioria da base governista. A oposição, que precisava de 19 votos para abrir o processo, conseguiu apenas 9.

Os vereadores Agora é Rubem (PSB) e Flávia de Nadegi (PV), que migraram recentemente para a base da governadora Raquel Lyra, preferiram se retirar do plenário e não votaram. A vereadora Jô Cavalcanti (PSOL) absteve-se.

Veja como votou cada parlamentar:

O Caso

A denúncia baseava-se na nomeação de um procurador municipal. O candidato, filho de um desembargador, foi aprovado na 63ª posição na ampla concorrência, mas acabou nomeado na vaga de Pessoa com Deficiência (PCD) após apresentar laudo de autismo tardiamente.

A prefeitura anulou o ato após a repercussão e nomeou o candidato original da vaga PCD, mas a oposição sustentou que houve crime de responsabilidade.

João Campos Câmara do Recife

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