Cynara Maíra | Publicado em 15/01/2026, às 08h26 - Atualizado às 08h59
A prefeita de Olinda, Mirella Almeida (PSD), mudou quatro secretários municipais na terça-feira (13), menos de um mês antes do Carnaval.
A reforma no primeiro escalão ocorre em meio a críticas da população e protestos sobre a qualidade da limpeza urbana na cidade.
A gestão confirmou as saídas dos titulares das pastas de Gestão Urbana, Desenvolvimento Social, Saúde e Fazenda. Segundo a prefeitura, o objetivo é "oxigenar o quadro" e ampliar as políticas sociais e de infraestrutura.
Nos bastidores, a informação é de que a gestora estaria insatisfeita com o desempenho da equipe, especialmente na área de serviços públicos.
Apenas a secretária de Saúde, Ana Claudia Callou, teria pedido para sair. Os outros três, Manoel Carlos (Gestão Urbana), Andrea Galdino (Desenvolvimento Social) e Jackson Trindade (Fazenda), foram exonerados.
Para tentar conter a repercussão negativa, Mirella Almeida já definiu três dos substitutos:
Rafael Arruda, ex-assessor especial, assume a Gestão Urbana.
Cláudia Tabosa, atual presidente do Olinprev, acumula a pasta da Fazenda.
Eveline Aragão fica interinamente na Saúde.
O novo nome para o Desenvolvimento Social será anunciado nos próximos dias.
A mudança no secretariado gerou reação dos adversários políticos. O ex-candidato a prefeito Vinicius Castello (PCdoB), que disputou o segundo turno contra Mirella, classificou a situação como um "desmonte".
Em publicação nas redes sociais, Castello sugeriu que as saídas seriam pela crise financeira do município. "Isso acontece porque hoje Olinda vive basicamente de dívidas. Não há projetos, não há verba própria e as reclamações constantes da população já impactam diretamente esse desgoverno", escreveu.
O opositor também falou sobre o risco de desorganização às vésperas da principal festa da cidade. "São várias secretarias diretamente impactadas, justamente a um mês do Carnaval. Imagine o nível de desorganização: novos secretários chegando, sem tempo de alinhamento", criticou.
A reforma administrativa acontece uma semana após protestos de moradores e movimentos sociais em frente à sede da Prefeitura. A principal queixa era a irregularidade na coleta de lixo no início de 2026.
No dia 6 de janeiro, um dia antes do ato, a gestão municipal anunciou um pacote de medidas para tentar regularizar o serviço. A prefeita exigiu da empresa terceirizada a instalação de GPS e câmeras em todos os caminhões compactadores no prazo de 30 dias para garantir a "prova de execução" das rotas.
A Prefeitura também iniciou uma operação complementar de limpeza e disponibilizou um canal de Ouvidoria (0800.002.0202) para denúncias.
Em nota enviada à Folha de Pernambuco, a gestão admitiu no fim do ano passado que a cidade passa por um "momento financeiro sensível", mas afirmou que trabalha para resolver a situação e garantir serviços nos bairros.
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