Cynara Maíra | Publicado em 21/01/2026, às 07h14 - Atualizado às 07h56
A governadora Raquel Lyra (PSD) mudou a presidência da Empresa Pernambucana de Transporte Coletivo Intermunicipal (EPTI) nesta quarta-feira (21). Segundo o Diário Oficial, advogado Yuri Coriolano assumiu o cargo no lugar de Antônio Carlos Reinaux, que Raquel teria sido exonerado a pedido.
A substituição acontece logo após a polêmica envolvendo a Logo Caruaruense, empresa de ônibus do ex-governador João Lyra Neto, pai da gestora estadual. Denúncias apontaram que a companhia operava desde o início da gestão sem as vistorias obrigatórias e com taxas em atraso, o que motivou um pedido de impeachment contra Raquel na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).
O novo presidente, Yuri Coriolano, ocupava a secretaria executiva de Coordenação Estratégica da Casa Civil desde outubro de 2023. Ele assumirá a EPTI com a missão de gerir o transporte intermunicipal em um momento de crise e pressão política sobre a fiscalização do setor.
O advogado Yuri Coriolano assume a presidência da EPTI após exercer a função de secretário executivo de Coordenação Estratégica da Casa Civil. Ele estava no Palácio do Campo das Princesas desde outubro de 2023.
Bacharel em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o gestor especializou-se em Direito Administrativo e Eleitoral. Coriolano também dirigiu a área de Assuntos Jurídicos da Secretaria de Saúde do Estado antes de integrar o núcleo do governo.
Engenheiro pela Universidade Politécnica de Pernambuco (UPE), Antônio Carlos Reinaux Gomes comandava a EPTI desde junho de 2023. A governadora Raquel Lyra nomeou o gestor ainda no primeiro ano de gestão.
Reinaux tem experiência no setor privado como sócio-administrador de três empresas e gerente geral. Ele deixou o cargo oficialmente "a pedido" em 20 de janeiro de 2026, durante a crise sobre a fiscalização de empresas de ônibus, como a Logo Caruaruense
A troca de comando na EPTI ocorre na esteira da reportagem do portal Metrópoles que revelou a situação irregular da Logo Caruaruense. Documentos internos indicaram que a frota de 50 ônibus da empresa não passava por inspeção desde 2022 e circulava com o Certificado de Registro Cadastral (CRC) vencido.
Diante da repercussão, a Logo Caruaruense anunciou o encerramento das atividades na última sexta-feira (16), após 60 anos de mercado. A empresa alegou "grave desequilíbrio econômico-financeiro" e devolveu as linhas ao Estado.
"Soube hoje pela manhã que a empresa entregou as linhas à EPTI e está encerrando suas atividades. A EPTI vai atuar para que não haja prejuízo à população", afirmou Raquel Lyra na ocasião.
Após a repercussão do caso, o deputado estadual Romero Albuquerque (União Brasil) protocolou na segunda-feira (19) um pedido de impeachment contra a governadora. O parlamentar acusa Raquel de prevaricação e de usar o cargo para favorecer interesses pessoais.
Em evento com prefeitos em Gravatá na terça-feira (20), Raquel rebateu as acusações em tom de desabafo. Ela classificou as denúncias como ataques à sua honra e tentativa de criar uma "cortina de fumaça".
"Vocês podem não gostar de mim, mas não podem me chamar de desonesta. Não se mexe com a honra de pessoas honradas e vocês não vão brincar com a minha biografia", declarou a governadora.
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