Jamildo Melo | Publicado em 04/04/2025, às 06h51 - Atualizado às 07h01
Repercutiu nacionalmente decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou, nesta terça-feira (1°), a imediata suspensão de emendas parlamentares para universidades estaduais e suas respectivas fundações de apoio em oito estados.
A liminar do ministro valia para instituições de Pernambuco e Acre, Alagoas, Maranhão, Paraíba, Piauí, Rondônia e Sergipe.
A decisão foi tomada após os estados não enviarem ao STF manifestação sobre a determinação de Dino para que sejam criadas normas e orientações sobre a aplicação e prestação de contas referentes às emendas que são destinadas às instituições.
A exigência constou em uma decisão assinada em 12 de janeiro de 2025.
Pois bem.
Dias depois do alerta do STF, o Governo de Pernambuco regulamentou a transparência das emendas.
O ato, cumprindo a determinação de Flávio Dino, veio através de portaria da Controladoria Geral do Estado. O Jamildo.com teve acesso ao documento em primeira mão.
"Esta Portaria estabelece os procedimentos para assegurar a transparência e a rastreabilidade na aplicação e prestação de contas dos recursos oriundos de emendas parlamentares federais destinados aos órgãos e entidades estaduais, em especial, às instituições estaduais de ensino superior e fundações de apoio, no âmbito do Poder Executivo Estadual", escreve a secretária Érika Gomes Lacet.
Com o ato, o Estado de Pernambuco buscará liberar, no STF, o envio de emendas "pix" para as instituições estaduais.
Em Pernambuco, por sua vez, são as emendas impositivas que estão gerando conflitos entre o Executivo e Legislativo. O presidente da Assembleia de Pernambuco, Álvaro Porto (PSDB), prometeu judicializar o susposto descumprimento por parte da governadora do pagamento das emendas impositivas.
Também o oposicionista deputado Coronel Alberto Feitosa (PL) protocolou uma emenda para aumentar o montante das emendas impositivas para 2% da receita estadual, conforme revelou em primeira mão o site Jamildo.com.
As emendas "pix", antes chamadas de "orçamento secreto", são valores destinados livremente, de forma impositiva, por deputados federais e senadores. O uso destas emendas tem causado muita confusão, inclusive investigações policiais por todo o Brasil.
O impasse sobre a liberação das emendas começou em dezembro de 2022, quando o STF entendeu que as emendas também chamadas de RP8 e RP9 eram inconstitucionais.
Após a decisão, o Congresso Nacional aprovou uma resolução que mudou as regras de distribuição de recursos por emendas de relator para cumprir a determinação da Corte.
No entanto, o PSOL, partido que entrou com a ação contra as emendas, apontou que a decisão continuava em descumprimento.
Após a aposentadoria da ministra Rosa Weber, relatora original da ação, Flávio Dino assumiu a condução do caso.
Em agosto do ano passado, Dino determinou a suspensão das emendas e decidiu que os repasses devem seguir critérios de rastreabilidade.
O ministro também determinou que a Controladoria-Geral da União (CGU) auditasse os repasses dos parlamentares por meio das emendas do orçamento secreto.
Em fevereiro deste ano, o ministro homologou o plano de trabalho no qual o Congresso se comprometeu a identificar os deputados e senadores responsáveis pelas emendas ao orçamento e os beneficiários dos repasses.
A decisão do ministro também liberou o pagamento das emendas deste ano e dos anos anteriores que estavam suspensas.
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